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domingo, 10 de julho de 2011

A Mensagem do Reino de Deus



A Mensagem do Reino de Deus - Caramuru Afonso Francisco


O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.

INTRODUÇÃO
- Na continuidade da doutrina do reino de Deus, hoje estudaremos qual é a “mensagem do reino de Deus”, ou seja, qual o significado do reino de Deus para a humanidade.
- O reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo(Rm.14:17).
I - A MENSAGEM DO REINO DE DEUS COMEÇOU COM O MINISTÉRIO PÚBLICO DE JESUS CRISTO
- Na primeira lição deste trimestre, vimos o que é o “reino de Deus”, algo importantíssimo para entendermos qual é a “missão integral da Igreja”, que é o tema deste nosso trimestre letivo.
- Vimos que “…o reino de Deus fala-nos, pois, do senhorio de Deus sobre a vida de cada um dos Seus servos, senhorio que nos faz pertencer a um povo, com leis e regras próprias, as estabelecidas pelo Rei. O reino de Deus é a realidade espiritual do pleno domínio que Deus exerce sobre cada um dos que aceitam a Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador….”
- Deste modo, não há como falarmos em “reino de Deus” se não vier o Rei e é exatamente por isso que a pregação do “reino de Deus” se inicia apenas quando o Senhor Jesus inicia o Seu ministério público. Quem o diz é o próprio Jesus, ao afirmar que “a lei e os profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus, e todo homem emprega força para entrar nele” (Lc.16:16).
- “…A expressão ‘reino de Deus’ também é usada para designar a esfera da salvação na qual se entra apenas pelo novo nascimento (Jo.3:5-7), em contraste com o reino dos céus como esfera de profissão da fé cristã, profissão esta que pode ser tanto real como falsa(…) Assim como o reino dos céus, o reino de Deus se realiza no governo de Deus na era presente e também será cumprido no futuro reino do milênio…” (Bíblia de Estudo SCOFIELD, nota a Mt.6:33, p.859).
- O “reino de Deus”, portanto, passou a ser anunciado por Jesus e este anúncio fazia parte de Seu ministério, ministério este que prossegue com a Igreja, que é o Seu corpo. Jesus veio anunciar este reino, ou seja, a possibilidade de a humanidade ser redimida dos seus pecados pelo sangue de Cristo e, assim, aproximar-se novamente de Deus, passando a obedecer-Lhe, a desfrutar da bondade e da misericórdia do Senhor, de estar sob o Seu senhorio.
Jesus trazia o “reino de Deus” que era aguardado ansiosamente pelos judeus (Lc.17:20), reino que havia sido prometido a Davi e a seus descendentes e descrito pelos profetas (II Sm.7:8-17; Zc.12:8). Todavia, este reino foi rejeitado por Israel (Jo.1:11), rejeição esta que se deu gradativamente, enquanto transcorria o ministério de Jesus (Mt.11:16-20; 27:21-25).
Diante da rejeição do “reino de Deus” por Israel, este anúncio foi dado a uma nova nação (Mt.21:43), a Igreja, formada tanto por judeus quanto por gentios (Ef.2:11-22). Por isso, assim que se consolida a rejeição do “reino de Deus” por parte de Israel, ainda que não de forma definitiva (o que se daria apenas quando do julgamento de Jesus e sua condenação à morte), Jesus anuncia o “mistério” da Igreja (Mt.16:13-21; Ef.3:1-12).
- É interessante observar que, quando Jesus começou a falar aos discípulos a respeito do “reino de Deus”, eles nada compreenderam (Mc.9:32; Lc.18:34), precisamente porque não tinham, ainda, o Espírito Santo, algo que é indispensável para que alguém possa ver o “reino de Deus” (Jo.3:3), visto que ninguém vê o “reino de Deus” se, antes, não nascer de novo e o novo nascimento é um nascimento que se dá por intermédio de uma operação do Espírito Santo, que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:7-11). Não foi por outro motivo que, depois de ressuscitado, Jesus soprou sobre Seus discípulos para que recebessem o Espírito Santo (Jo.20:22) e, durante os quarenta dias em que ainda permaneceu com eles antes de ascender aos céus, falou-lhes a respeito do “reino de Deus” (At.1:3).
- A partir de então, os discípulos estavam aptos para continuar a obra do Senhor Jesus e anunciar o “reino de Deus” (At.8:12; 19:8; 20:25; 28:23,31), não mais para Israel, mas para todo o mundo, onde passou a ser semeada a Palavra (Mt.13:3,19-23).
O “reino de Deus” é, portanto, o conteúdo do “Evangelho”, ou seja, o que se diz quando se proclamam as “boas novas” de salvação. O “Evangelho” é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê em Jesus Cristo como único e suficiente Senhor e Salvador (Rm.1:16) e, como resultado da salvação em Jesus, passamos a “ver o reino de Deus” (Jo.3:3) e, no dia-a-dia, a marcharmos em sua direção, a fim de nele entrar (Jo.3:5; Rm.1:17), daí porque ter sido a Igreja chamada de “Caminho” (At.19:9;23; 22:4; 24:14). Não é por outro motivo que os que nascem de novo e dão fruto, por terem recebido a semente, que é a Palavra do reino, são o “trigo”, os “filhos do reino” (Mt.13:38).
II - A MENSAGEM DO REINO DE DEUS - O TEMPO ESTÁ CUMPRIDO
- Mas, qual é, afinal, a mensagem do “reino de Deus”? O evangelista Marcos, dentro de seu estilo breve, onde apresenta Jesus como o servo, apresenta-nos, claramente, a síntese do “evangelho do reino de Deus”: “O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho”(Mc.1:15).
- A primeira parte da mensagem do “reino de Deus”, portanto, é “o tempo está cumprido”. Jesus anunciava que as promessas feitas a partir de Davi se cumpriam com a Sua vinda ao mundo. O Verbo Se fez carne e habitou entre os homens, por meio de quem vieram a graça e a verdade (Jo.1:14,17) , trazendo a salvação a todos os homens (Tt.2:11).
- Jesus, ao anunciar o “reino de Deus” como sendo o “cumprimento do tempo”, estava a indicar que a lei e os profetas estavam se encerrando, que Jesus tinha vindo para cumprir a lei e, desta maneira, satisfazer a justiça de Deus, oferecendo-Se como sacrifício para expiação dos pecados da humanidade. Chegara o momento de se dissiparem as trevas, o império do diabo, a morte, abrindo-se um novo tempo para os homens, que poderiam voltar a ter comunhão com Deus pelo sacrifício vicário de Cristo.
A primeira parte do “reino de Deus” fala-nos que é chegado o momento da salvação, que o Salvador veio ao mundo, que a promessa da redenção, existente desde o momento da queda, quando se disse que a semente da mulher restabeleceria a amizade entre Deus e o homem (Gn.3:15), concretizara-se na pessoa de Cristo Jesus.
- Dizer que o “tempo está cumprido” nada mais é que dizer que o Salvador já veio e que a salvação está à disposição de tantos quantos crerem em Jesus e, por esta fé, se tornarem “filhos de Deus”, “filhos do reino”. Dizer que o “tempo está cumprido” é mostrar que a salvação já chegou e que nada precisa ser feito pelo homem para adquiri-la senão entregar a sua vida a Cristo Jesus.
- Muitos hoje não mais pregam que “o tempo está cumprido”. Põem uma série de obstáculos para a salvação, achando que ela ainda está para vir. Não são apenas os judeus que, por terem rejeitado a Cristo, ainda aguardam o Messias, mas muitos que cristãos se dizem ser também estão a olvidar que “o tempo está cumprido”.
- Muitos não têm a convicção de Paulo que, escrevendo aos gálatas, foi claríssimo ao afirmar que já havia chegado a plenitude dos tempos, Deus enviara Seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos e ter enviado a nossos corações o Espírito Santo, passando a ser herdeiros de Deus por Cristo (Gl.4:4-7).
- Por isso, apesar de se dizerem cristãos, defendem que nos mantenhamos debaixo da lei, como se Jesus não tivesse cumprido a lei (Mt.5:17) e Se oferecido como sacrifício que tirasse o pecado do mundo, algo que a lei jamais poderia fazer (Hb.10:1-9). São pessoas que não compreenderam, ainda, que “o tempo está cumprido”.
- Há aqueles que, embora não mandem que se siga a lei de Moisés, criam para si “mandamentos de homens” para complementar o mandamento deixado por Jesus (Jo.15:12), esquecendo-se que “como o tempo está cumprido”, não mais restam outros mandamentos senão o mandamento deixado pelo Senhor. Não têm a mesma consciência do apóstolo João que não escrevia aos salvos um mandamento novo, “mas o mandamento antigo que desde o princípio tivestes” (I Jo.2:7). Quem assim procede não agrada a Deus (Is.29:13; Mc.7:7; Tt.1:14).
- Mas há, também, aqueles que condicionam a obra perfeita da salvação em Cristo Jesus a “remendos”, tais como “quebras de maldições”, “maldições hereditárias” e outras invencionices, como se o sacrifício de Jesus tivesse sido insuficiente para salvar a humanidade. “O tempo está cumprido” e, portanto, nada mais resta para ser feito para remir o homem de seus pecados.
- O homem é liberto tão só pela fé em Cristo Jesus, pela fé na verdade, pois a verdade, que é a Palavra (Jo.17:17), o próprio Verbo de Deus (Jo.1:1; 14:6; Ap.19:13), é suficiente para nos libertar (Jo.8:32,36). O conhecimento da verdade é que nos liberta e, por isso, devemos, uma vez cientes da mensagem do “reino de Deus”, passar a conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor (Os.6:3).
Dizer que “o tempo está cumprido” é ter consciência de que sabemos em que tempo está a viver, é identificar “os sinais dos tempos” (Mt.16:3). Como afirma a Constituição pastoral “Gaudium et spes”, um dos principais documentos católicos romanos do Concílio Vaticano II (1962-1965) :”…a Igreja, a todo momento, tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho, de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada geração, às interrogações eternas sobre o significado da vida presente e futura e de suas relações mútuas…” (Gaudium et spes, nº 4).
- A incompreensão dos “sinais dos tempos” faz com que não se esteja no “reino de Deus”. Israel, por ter rejeitado o “reino de Deus”, não soube compreender que estava a perder o “tempo da visitação do Rei”, o que provocou o choro do Senhor sobre Jerusalém (Lc.19:41-44).
- Os discípulos, após a ascensão do Senhor e a partir do dia de Pentecostes, demonstraram ter consciência de que tempo estavam a viver: o tempo de pregação do Evangelho e do “reino de Deus” até que o Senhor viesse a voltar para estabelecer o Seu reino milenial (At.3:18-21). Esta consciência de que tempo estamos a viver é, também, renovada na participação da ceia do Senhor (I Co.11:26).
Quando temos noção de que “o tempo está próximo”, passamos a remir o tempo, sabendo que os dias são maus (Ef.5:16). “Remir o tempo” é aproveitá-lo para fazer a obra de Deus, dar prioridade às “coisas de cima” (Cl.3:1,2), sabendo que não é aqui o nosso descanso (Mq.2:10), de que temos de fazer a obra do Senhor enquanto é dia, porque a noite vem quando ninguém mais pode trabalhar (Jo.9:4).
- Lamentavelmente, muitos, nos dias hodiernos, por não terem a noção de que “o tempo está cumprido”, estão a desperdiçar o seu tempo com coisas que para nada aproveitam, inclusive nas igrejas locais. Na atualidade, são poucos os que cristãos se dizem ser que estão a realizar a obra do Senhor, transformando as igrejas locais em verdadeiros “clubes sociais”, onde só há folguedos, confraternizações, exibições artísticas, mas onde não mais se evangeliza, não mais se procura remir o tempo ganhando almas para o Senhor Jesus, nem tampouco fazendo coisas que edifiquem a nossa vida espiritual, tais como a busca da presença de Deus em orações, jejuns e consagrações, a busca das bênçãos espirituais (batismo com o Espírito Santo, dons espirituais). Acordemos, amados irmãos!
Quem tem a noção de que “o tempo está cumprido”, além da dimensão do serviço cristão, de que falamos, também passa a andar com sabedoria para com os que estão de fora, ou seja, passa a dar um bom testemunho ante os incrédulos (Cl.4:5). Somente quem sabe em que tempo está a viver cuida para que sua vida seja uma prova de que está a caminhar para o “reino de Deus”, zela para que seja uma efetiva e sincera testemunha de Cristo Jesus. A noção de que “o tempo está cumprido” leva-nos à dimensão do testemunho cristão. Temos sido testemunhas do Senhor (At.1:8)? Somente com bom testemunho, poderemos pregar eficazmente o “reino de Deus” (At.28:23).
- Mas nem todos estão conscientes de que “o tempo está cumprido” e que o Senhor Jesus pode voltar a qualquer momento para arrebatar a Sua Igreja, apesar dos “sinais dos tempos” que mostram o cabal cumprimento de tudo quanto o Senhor Jesus deixou assinalado como sinais de Sua vinda (Mt.24:4-14). Muitos, notadamente nestes dias em que vivemos, dias da iminência do arrebatamento da Igreja, estão a descuidar da análise dos “sinais dos tempos”, começando a duvidar da volta de Cristo e, exatamente por não entenderem em que tempo estamos, andam após as suas próprias concupiscências (II Pe.3:3,4). Por isso, não deixemos de atender ao conselho de Nosso Senhor: “…quando virdes todas estas coisas, sabei que está próximo, às portas” (Mt.24:34).
III - A MENSAGEM DO REINO DE DEUS - “O REINO ESTÁ PRÓXIMO”
- Mas Jesus não Se limitou a pregar que “o tempo estava cumprido”, mas, também, que “o reino de Deus estava próximo”(Mc.1:15). “…A expressão bíblica ‘é chegado’ ou ‘está próximo’ (Mc.1:15) não é uma afirmação categórica de que uma pessoa ou coisa que chegou aparecerá imediatamente, mas apenas que essa pessoa ou coisa é iminente. Quando Cristo apareceu ao povo judeu, o próximo evento que deveria ocorrer na ordem da revelação, de acordo com a forma com o que o povo a entendia, era o estabelecimento do reino davídico. Mas Deus havia estabelecido que, antes disso, ocorreria a rejeição e a crucificação do Rei (Sl.22; Is.53). O longo período da forma secreta do reino (Mt.13:11) - a pregação da cruz por todo o mundo e o chamado da Igreja para sair do mundo - ainda se achava oculto nos conselhos secretos de Deus (Mt.13:11,17; Ef.3:3-12)….” (Bíblia de Estudo SCOFIELD, nota a Mt.4:17, p.854).
- Jesus anunciava aos judeus que “o reino de Deus estava próximo” ou que “o reino de Deus havia chegado”. Foi o que mandou Seus discípulos pregarem às ovelhas perdidas da casa de Israel quando comissionados, de dois em dois, a percorrer todas as aldeias judaicas (Lc.9:2,60; 10:9,11).
- A pregação de Nosso Senhor tinha o propósito de fazer o Seu povo crer que Ele era o Messias e que, através da fé n’Ele, poderiam ser salvos e passar a “ver o reino de Deus” por intermédio do novo nascimento, como afirmou para o príncipe Nicodemos (Jo.3:3).
- Os judeus aguardavam um reino visível, um reino material poderoso, um novo tempo de conquistas militares e de pujança política como fora o reinado de Davi, mas o Senhor foi bem claro ao ensinar-lhes que o “reino de Deus” não viria com aparência exterior e que já se encontrava no meio do povo de Israel, ainda que imperceptível aos olhos humanos (Lc.17:20,21). Para Pilatos, o Senhor fez questão de dizer que Seu reino não era deste mundo (Jo.18:36), reino que é formado por todos aqueles que creem no testemunho da verdade dado por Cristo (Jo.18:37; II Jo.4).
- Por isso, ao falar dos “mistérios do reino dos céus” (Mt.13:11) ou “mistérios do reino de Deus” (Mc.4:11; Lc.8:10), o Senhor Jesus descreve o “reino de Deus” como o “grão de mostarda”, a “menor de todas as sementes” que, crescendo, se torna a “maior das plantas” (Mt.13:32; Mc.4:31,32; Lc.13:19), como o “tesouro escondido” que é adquirido pelo Senhor Jesus (Mt.13:44), como “a pérola de grande valor”, igualmente adquirida pelo Salvador (Mt.13:45,46).
Para se perceber a proximidade do “reino de Deus” se faz preciso, portanto, crer em Jesus. Semesta fé, o máximo que o homem faz é tatear, tentar apalpá-lo na escuridão, nas trevas, na cegueira espiritual em que se encontra por obra do deus deste século (At.17:27; II Co.4:3,4). Mesmo o entendimento das Escrituras hebraicas, o aprofundamento no estudo da lei somente fazia com que o homem se tornasse próximo do “reino de Deus”, sem que, no entanto, fosse suficiente para que ele pudesse vê-lo (Mc.12:28-34).
- Por isso, o Senhor Jesus disse que o “reino de Deus” tem de ser recebido como uma criança (Mc.10:15; Lc.18:17),  pois a criança é crédula, em virtude de sua inocência crê em tudo que se lhe diz, sem que apresente qualquer dúvida ou vacilação. Ao pregar que “o reino de Deus havia chegado” ou “estava próximo”, o Senhor suscitava o Seu povo a crer n’Ele como o Messias, sem o que não poderia “ver o reino de Deus” nem tampouco n’Ele entrar. O apóstolo Paulo, anos depois, faria o mesmo com os judeus sediados em Roma (At.28:23).
- A rejeição de Jesus por Israel está vinculada, precisamente, a esta incredulidade. Quando houve, por parte dos fariseus e dos saduceus, o pedido de um sinal do céu, Jesus denunciou a sua hipocrisia e falta de discernimento dos “sinais dos tempos” (Mt.16:1-4; Mc.8:11-12). Por isso mesmo, disse-lhes que os publicanos e as meretrizes entrariam no “reino de Deus” adiante deles, apesar de toda a religiosidade que apresentavam (Mt.21:31,32).
- Assim como a geração do êxodo não entrou na Terra Prometida por causa de sua incredulidade, perecendo no deserto (Hb.3:19), também muitos não entrarão no “reino de Deus”, apesar de ele já ter chegado, de ele estar próximo, porque não crerão em Cristo Jesus. Só recebe o “reino de Deus” aquele que crer em Jesus como único e suficiente Senhor e Salvador (Jo.1:14).
Um dos grandes obstáculos que se apresenta para alguém conseguir entrar no “reino de Deus” é a confiança nas riquezas (Mt.19:24; Mc.10:23-25; Lc.18:24,25). Quem confia nas riquezas, nas coisas desta vida não consegue ver o “reino de Deus” e cria grande, imensa dificuldade para nele entrar, pois o cuidado com as coisas deste mundo e a sedução das riquezas matam aqueles que haviam recebido a semente da Palavra (Mt..13:22).
- Aqui devemos não só entender as riquezas do ponto-de-vista material, mas também do ponto-de-vista espiritual. No sentido espiritual, “confiar nas riquezas” é confiar em si próprio, é achar-se autossuficiente, ou seja, entender que não se precisa de Deus, é crer na mentira satânica de que se pode ser igual a Deus (Gn.3:5). Quem se acha rico, neste sentido, está perdido (Ap.3:15-17). Por isso, o Senhor disse que aos pobres pertence o “reino de Deus” (Lc.6:22), ou seja, como muito bem explica o Catecismo da Igreja Romana, “o Reino pertence aos pobres e aos pequenos, isto é, aos que o acolheram com um coração humilde…” (§ 544 CIC), aqueles que, como Davi, reconhecem-se como pobres e necessitados de Deus (Sl.40:17).
- Muito pelo contrário, o Senhor Jesus, no sermão do monte, foi claríssimo ao dizer que devemos “buscar primeiramente o reino de Deus e a sua justiça” (Mt.6:33), o que se repetiu no chamado “sermão da planície” (Lc.12:31), separando a “busca do reino de Deus” da “busca da satisfação das necessidades terrenas”, tratadas como “coisas que seriam “acrescentadas” (Mt.6:31,32).
- Por isso, uma das grandes armas que o inimigo de nossas almas tem se valido, nestes nossos dias, é, precisamente, a chamada “teologia da prosperidade”, que tem apresentado para os incautos um “reino de Deus” visível, palpável, financeiramente agradável. As pessoas têm, então, perseguido e buscado um “reino de Deus” com aparência exterior, que seja crido pelos olhos humanos, pelos olhos carnais e não pela fé. Tais pessoas, por confiarem nas riquezas e não em Cristo Jesus, estão caminhando celeremente para as trevas exteriores, terão o mesmo destino daqueles que buscavam “sinal do céu” e que foram chamados pelo Senhor de “hipócritas”. Tomemos cuidado, amados irmãos! Qual é o nosso “reino de Deus”? Como é triste vermos que muitos púlpitos têm substituído a “mensagem do reino de Deus” por esta mensagem das coisas terrenas!
- Infelizmente, nos dias difíceis em que vivemos, muitos são os que, a exemplo até dos discípulos (Lc.19:11), esperam a manifestação do “reino de Deus” com aparência exterior, com pompa e circunstância, com grandiosidade material e visível, sem qualquer esforço. No entanto, o Senhor Jesus foi claro ao mostrar que “o reino de Deus” não só se mostraria sem aparência exterior, como demandaria, para o seu crescimento, o esforço dos Seus discípulos (Lc.16:16 “in fine”). Para impedir que os discípulos achassem que “o reino de Deus” viria quando o Senhor chegasse a Jerusalém, o Senhor lhes contou a parábola das dez minas, a mostrar que o Senhor faria “uma longa viagem” e que, durante este tempo, deveriam Seus discípulos negociar até que Ele voltasse (Lc.19:12,13).
Jesus disse que deveríamos buscar o “reino de Deus” e a sua justiça. Assim, não basta recebermos o “reino de Deus” pela fé, mas esta fé tem de ser viva, a ponto de nos fazer justos, de termos justiça que exceda a dos escribas e fariseus, sem o que não entraremos no “reino de Deus” (Mt.5:20).
- Não podemos nos esquecer que os injustos não herdarão o “reino de Deus” (I Co.6:9), nem aqueles que praticam o pecado, que fazem do pecado uma maneira de viver (I Co.6:10). Por isso, temos que aumentar nossa justiça e nossa santidade a cada instante, a cada momento (Ap.22:11). É a fé que nos faz receber o “reino de Deus”, mas quem vive pela fé é, necessariamente, um justo (Rm.1:17).
- A fé é indispensável para que se veja e se entre no reino de Deus, mas a entrada nele demanda esforço, uma contínua luta contra a carne, o mundo e o diabo. A vitória que vence todos estes obstáculos que se nos colocam a cada instante de nossa jornada para o céu é a nossa fé (I Jo.5:4). Por isso, Paulo e Barnabé exortavam os crentes a permanecerem na fé, pois, havendo tal fé permanente, não se deixariam abalar pelas muitas tribulações que virão, certamente, em nossa jornada rumo ao “reino de Deus” (At.14:22).
- Para alimentar e incentivar a nossa fé, o “reino de Deus”, embora não tenha aparência exterior, é apresentado aos homens através da “cooperação do Senhor” com os Seus servos, por intermédio de sinais e maravilhas (Mc.16:20). Jesus disse que um dos sinais de que “o reino de Deus” havia chegado era, precisamente, o fato de haver expulsão de demônios e cura de enfermidades (Mt.12:28; Lc.9:2,11; 10:9; 11:20).
- O apóstolo Paulo foi enfático ao afirmar que o “reino de Deus” não consiste em palavras, mas em virtude (I Co.4:20). Como, então, anunciar o “reino de Deus” sem que haja tais sinais? Felipe anunciou aos samaritanos o “reino de Deus”, mas demonstrou a sua presença pelos sinais e maravilhas que ali se realizaram (At.8:6-13).
- Não devemos pregar sinais nem maravilhas. Nossa pregação é o “reino de Deus”, é Cristo Jesus, mas, sem sinais ou maravilhas, como podemos demonstrar aos homens que “o reino de Deus é chegado”, que “o reino de Deus está próximo”? Busquemos o “reino de Deus” e a sua justiça e, certamente, receberemos a cooperação do Senhor para confirmar que o “reino de Deus” está entre nós!
IV - A MENSAGEM DO REINO DE DEUS - ARREPENDEI-VOS
- Mas a pregação de Jesus não parava na proclamação do cumprimento do tempo nem da chegada do “reino de Deus”. O Senhor também pregava que os judeus deveriam se arrepender dos seus pecados, residindo aqui o papel de precursor que João, o último profeta da antiga aliança, desempenhou, pois ele, preparando o caminho do Senhor, também veio pregando o arrependimento dos pecados, arrependimento a ser demonstrado pelo batismo (Mt.3:2; Mc.1:4; Lc.3:3; At.19:4).
Para “ver o reino de Deus” é necessário nascer de novo (Jo.3:3). Este novo nascimento, que é do Espírito (Jo.3:6), nada mais é senão o resultado do arrependimento dos pecados pela fé em Cristo Jesus (Jo.16:8,9).
Para que haja salvação é indispensável que haja arrependimento dos pecados (At.2:37,38), arrependimento que significa mudança de mentalidade (a palavra grega para arrependimento é “metanoia” - ???????? -, cujo significado é precisamente o de “mudança de mente”) , mudança de comportamento, abandono do pecado, um arrependimento que é a tristeza segundo Deus (II Co.7:10). Quando há arrependimento, a pessoa deixa as trevas e vem para a luz, passando a praticar boas obras (Jo.3:21), pois foi chamado das trevas para a maravilhosa luz do Senhor (I Pe.2:9).
- A pregação do Evangelho é a pregação para que as pessoas se arrependam de seus pecados. Não há como se pregar o Evangelho sem, antes de mais nada, mostrar aos homens de que eles são pecadores e precisam de salvação na pessoa de Jesus Cristo.
- Na atualidade, proliferam outros evangelhos, que, ao invés de mostrarem aos homens de que eles são maus e necessitam se arrepender de seus pecados e obter o perdão divino pela fé em Cristo Jesus, procuram lustrar o ego dos seres humanos, dizer-lhes de que eles são bons e que Deus os aceita do jeito que estão e que eles não precisam mudar a sua vã maneira de viver. São falsos evangelhos, que querem apenas arrebanhar adeptos, simpatizantes, mas que não têm como objetivo e finalidade trazer o homem à comunhão com Deus, o que somente se fará mediante a retirada dos pecados, que são os responsáveis pela separação que há entre Deus e a humanidade (Is.59:2).
- Este discurso da “bondade inerente à natureza humana” é mais um dos ardis de Satanás para impedir que os homens alcancem a salvação. Os homens são maus (Mt.7:11), embora tenham sido criados perfeitos por Deus (Gn.1:31; Ec.7:29), têm uma natureza pecaminosa, na qual não há bem algum (Rm.7:18) e, por isso, Jesus veio ao mundo, para pagar o preço da redenção do homem com o Seu próprio sangue e, por meio deste sacrifício, tirando o pecado do mundo, permitir ao homem, por graça, i.e., por favor imerecido, restabelecer a comunhão com Deus.
É absolutamente necessário que preguemos aos homens a necessidade do arrependimento dos pecados. Sem arrependimento, não há como se alcançar a salvação. O Espírito Santo convence o homem do pecado, para que ele creia em Jesus e obtenha o perdão de suas iniquidades, mas para que haja este convencimento é mister que preguemos a Palavra, através da qual vem a fé que salva o homem (Rm.10:17), Palavra que mostra a necessidade do arrependimento.
-  O arrependimento é a reação humana ao amor de Deus, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade (I Tm.2:4), é o primeiro ato humano do processo da salvação. Por isso, o nosso adversário busca, de todas as maneiras, impedir que haja tal atitude por parte do homem, atitude que, entretanto, é indispensável para que possamos ver “o reino de Deus”, pois, sem que o vejamos, não há como podermos nele entrar.
O arrependimento importa no abandono da vida pecaminosa, pois somente seremos de Deus se não mais vivermos pecando (I Jo.3:6-10). O arrependimento leva-nos a mudar de orientação em nossas vidas, à conversão, de sorte que passamos a ser “novas criaturas” (II Co.5:17; Gl.6:15), com um comportamento totalmente distinto daquele que tínhamos antes de nos encontrarmos com o Senhor Jesus (Ef.4:20-32; Cl.3:5-14). O “filho do reino” não tem mais a forma do mundo, mas é uma pessoa transformada, diferente (Rm.12:2), uma pessoa que se converteu dos ídolos para servir o Deus vivo e verdadeiro (I Ts.1:9).
- Atualmente, muitos têm se iludido com um discurso de que “Deus só quer o coração”, discurso este que busca justificar uma forma pecaminosa de viver, como se o Senhor estivesse pronto a aceitar o homem de qualquer maneira. Isto é mentira, amados irmãos! Deus quer, sim, o coração do homem (Pv.23:26a), mas com o propósito de fazer com que o homem passe a observar os Seus caminhos (Pv.23:26b).
- Deus quer o coração para transformá-lo, fazer com que o coração de pedra se torne um coração de carne (Ez.11:19; 36:26), ou seja, Deus quer o nosso coração velho, endurecido com os pecados, de onde procedem todos os males (Mt.15:19), para nos dar um coração novo, um coração sensível e obediente ao Senhor. Deus quer que recebamos um coração circuncidado, ou seja, que o homem interior sele uma aliança de obediência e submissão a Deus (Dt.10:16; Jr.4:4; Rm.2:29). Em outras palavras: Deus quer o nosso arrependimento, a nossa conversão.
- É assaz preocupante vermos, na atualidade, que, além de não se pregar mais sobre a necessidade do arrependimento dos pecados, há um grande descuido na apreciação daqueles que se aproximam e passam a frequentar as igrejas locais. Muitos têm sido inseridos na vida eclesiástica mesmo sem demonstrarem estar a dar frutos dignos de arrependimento. Há muitos inconversos a participar das atividades nas igrejas locais em grave prejuízo à vida espiritual de todos que ali estão. “Arrependei-vos” é a mensagem do “reino de Deus”, pois nenhum pecador herdará este reino (I Co.6:9,10; Gl.5:19-21). Lembremos disto!
V - A MENSAGEM DO REINO DE DEUS - CREDE NO EVANGELHO
A última parte da pregação do “reino de Deus” feita por Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo era “crede no Evangelho”. Já vimos que a fé é indispensável para que vejamos e, depois, entremos no “reino de Deus”. Aqui o Senhor enfatiza esta absoluta necessidade da fé, fé que deve ser no Evangelho, ou seja, nas boas novas de salvação, no poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, tanto do judeu quanto do gentio (Rm.1:16).
- A fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus (Rm.10:17). Por isso, devemos pregar a Palavra, pois é ela a portadora da fé salvadora que, com origem em Deus, chega aos ouvidos do pecador e tem de descer ao seu coração para que ele obtenha a sua salvação.
Crer no Evangelho não é fácil, é algo que somente poderia provir de Deus(Ef.2:8). O homem, por si só, cegado pelo deus deste século (II Co.4:4), não tem condições de ver o “reino de Deus”, a menos que seja iluminado pela luz do Evangelho de Cristo.
Para se ver o “reino de Deus”, deve-se crer no Evangelho, ou seja, na Palavra que é pregada, mas, lembremos, nem todos darão crédito à pregação (Is.53:1). Na verdade, o Senhor, ao desvendar os “mistérios do reino de Deus”, mostrou, na parábola do semeador, que a semente da Palavra encontrará sempre quatro espécies diferentes de terreno e que em somente um deles haverá frutificação permanente (Mt.13:1-9, 18-23).
- Por isso, não podemos nos iludir com a falácia dos “métodos de crescimento de igreja” que têm infestado as igrejas locais nestes últimos tempos. A fé não é de todos (II Ts.3:2 “in fine”) e, máxime nos dias imediatamente anteriores ao arrebatamento da Igreja, a fé será algo raro sobre a face da Terra (Lc.18:8), pois serão dias em que muitos apostatarão da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios (I Tm.4:1).
- Esta busca por um crescimento numérico, quantitativo, que tem caracterizado os que cristãos se dizem ser em nossos dias nada mais é que operação destes espíritos enganadores, que não entendem em que tempo estamos a viver. O “reino de Deus” cresce, sim, de forma imperceptível aos olhos humanos, é o “grão de mostarda” que de menor semente se torna a maior das plantas (Mt.13:32), mas que não deixa de ser “o pequeno rebanho” (Lc.12:32), pois muitos do que estão no meio deste povo são tão somente “joio no meio do trigo” (Mt.13:25,26,38,39), “os peixes ruins que estão junto com os bons” (Mt.13:47,48), “o fermento que é lançado nas três medidas de farinha” (Mt.13:33).
- Crer no Evangelho é crer no poder de Deus que é a salvação de todo aquele que crê. Por isso, como bem diz um querido irmão que conosco frequenta o estudo dos professores de EBD em nossa igreja local, o Evangelho não precisa de defensores, como muitos estão a arrogar por aí, mas, sim, de seguidores, de pessoas que se comprometam a nele crer e a viver segundo os seus ditames e ensinos.
- Crer no Evangelho é fazer o que Jesus manda, demonstrando assim amor para com Nosso Senhor (Jo.14:15; 15:10,14).
- Muitos, atualmente, entretanto, não creem no Evangelho, tanto que estão a buscar subterfúgios, como se o Evangelho de Jesus Cristo fosse algo fraco, não fosse o poder de Deus. Assim, buscam artifícios, métodos para “estimular” e “incentivar” a fé do povo, gerando um sem número de “amuletos” para que o povo creia. Surgem, então, as “toalhinhas”, os “lenços ungidos”, os “sabonetes de extrato de arruda”, os “tijolos da prosperidade”, as “rosas ungidas”, as “chaves ungidas”, os “molhos de trigo ungidos”, as “águas bentas” e tantas outras invencionices, tudo a indicar que são pessoas que não creem no Evangelho, que acham que o Evangelho precisa ser complementado por coisas criadas pelos homens.
Crer no Evangelho é dar crédito às promessas de Deus e, em virtude disto, pregar a Palavra e ter a certeza de que esta Palavra será confirmada com os sinais que seguem aos que creem. É não ter medo de apontar o pecado aos homens e chamá-los a ter fé em Cristo Jesus, dizendo-lhes que Cristo liberta dos vícios, dos males, das doenças e que transformará a criatura, mas que tudo tem de começar pelo arrependimento dos pecados.
Crer no Evangelho é renunciar às concupiscências do mundo, à sua impiedade e passar a ter uma vida sóbria, justa e pia neste presente século (Tt.2:12), mesmo que isto custe caro (II Co.11:23-28), mesmo que isto represente o ódio do mundo contra quem assim passa a viver (Jo.15:18-20).
Crer no Evangelho é não se deixar iludir com este mundo, é ter consciência de que o mundo e a sua concupiscência são passageiros e não devem ser amados (I Jo.2:15-17), mas manter a viva esperança de, um dia, que está tão próximo, ingressaremos no “reino de Deus” para sempre ali estarmos com o Senhor (Fp.3:20,21; I Ts.1:10; Tt.2:13; I Pe.1:3,4; II Pe.3:13; I Jo.3:2,3).
Crer no Evangelho é não buscar complementar a Palavra de Deus com “mandamentos de homens”, com “vãs filosofias”, sabendo que o “reino de Deus” não é comida nem bebida mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo (Rm.14:17). Quem crê no Evangelho não se prende a uma vida religiosa exterior, mas, pelo contrário, sabe que o Evangelho produz no homem a justiça, que vem pela fé (Rm.5:1); a paz com Deus, pelo perdão dos pecados (Rm.5:1) e a comunhão com o Senhor, por meio do Espírito Santo, que traz ao homem não só a alegria da salvação, mas uma vida de alegria e de manifestação do poder de Deus (Rm.8:14-18).
- Será que temos pregado e, principalmente, vivido a mensagem do reino de Deus trazida por Nosso Senhor e que temos o dever de prosseguir a anunciar? Pensemos nisto!
Caramuru Afonso Francisco
Publicado no Portal EBD

terça-feira, 5 de julho de 2011

O STF e o seu discutível Perfil

O porquê de tantas decisões absurdas do STF nos últimos anos está na sua incomparável composição atual
De certa forma, as decisões absurdas do Supremo Tribunal Federal nos últimos meses não surpreendem. Elas são a consequência lógica da atual composição do STF, que é, ideologicamente, a formação mais liberal do Supremo que já tivemos na história do Brasil. Refiro-me, claro, ao liberalismo social, ou seja, a liberalismo em termos de valores. Nunca houve tantos membros do STF liberais em valores como temos hoje. Mas, por quê?

Ora, presidentes socialmente liberais nomeiam ao Supremo nomes que se alinham ao liberalismo social. Logo, quando elegemos presidentes adeptos do liberalismo social, não devemos esperar nomeações ao STF de gente conservadora em valores, ou de gente que, mesmo não sendo nenhuma fina flor do conservadorismo, pelo menos se atenha a fazer aquilo que parece ser cada vez mais raro no Supremo de hoje: tão somente decidir segundo o que determina a lei. Aliás, a ocupação de um magistrado é, em sua essência, conservadora. Um magistrado não deve “inventar a roda”, ou seja, não deve ir além do que já foi estabelecido. Ele deve conservar a ordem legal estabelecida reprovando todo tipo de posicionamento que se choca contra ela.

Dos 11 ministros do STF, 7 foram nomeados pelo presidente Lula e pela presidente Dilma, presidentes de perfil liberal em relação a valores. São a maioria esmagadora do STF. Por Lula, foram nomeados Cezar Peluso, atual presidente do STF; Carlos Ayres Britto, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Carmén Lúcia e Dias Toffoli, que foi, inclusive, advogado pessoal de Lula durante muitos anos. Por Dilma, foi nomeado Luiz Fux. Os demais – Celso de Mello, Marco Aurélio Mello, Gilmar Mendes e Ellen Gracie Northfleet – foram nomeados respectivamente pelos presidentes José Sarney, Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso, presidentes estes que, por sua vez, estão longe de terem sido conservadores.

Temos um Supremo Tribunal Federal dominado por progressistas. E progressistas geralmente não se importam muito em serem estritamente fieis à lei. Acima de tudo está a sua utopia de mundo. Quando consideram que a lei vai contra seu mundo idealizado, contra a sua utopia revolucionária, logo dão um jeito de atropelar o que estiver pela frente – inclusive o texto legal – para fazer valer seus ideais. É o que estamos assistindo.

O paulista Celso de Mello, que considero, no geral, um bom magistrado, infelizmente é fortemente progressista. O mineiro Joaquim Barbosa, além de confessadamente eleitor do liberal Lula, é o mais progressista de todos os atuais ministros do STF. Inclusive, chegou a dizer, certa vez, que os ministros do STF deveriam tomar decisões ouvindo o clamor das ruas, quando os ministros do STF devem tomar suas decisões com base na lei, e não do modismo ideológico de uma época. O sergipano Carlos Ayres Britto foi filiado ao PT, partido conhecido pelo vanguardismo na defesa do liberalismo social no Brasil. Britto foi, inclusive, candidato a deputado federal pelo PT em 1990. Certa vez, quando perguntado sobre sua fé, se declarou seguidor do “holismo”, uma versão do naturalismo. O carioca Marco Aurélio Mello, por sua vez, é aquele ministro do STF que certa vez disse “Primeiro idealizo a solução mais justa, só depois vou buscar apoio na lei” (Fonte: Revista “Análise Jurídica”, uma edição especial da empresa Análise Editorial lançada há alguns anos e que trazia o perfil dos ministros do STF).

Esses são só alguns exemplos. O que esperar, então, de um tribunal com esse perfil?

É por isso que este tribunal, nos últimos anos, aprovou a destruição de embriões para pesquisa de células-tronco, defendendo a tese de que um embrião não é vida; chancelou a marcha da maconha, que faz apologia de um crime, desrespeitando o Código Penal brasileiro (Com base nessa decisão, qualquer grupo pode hoje, por exemplo, começar a reivindicar o direito de realizar uma “marcha pela descriminalização da pedofilia”, pois se maconha é crime, mas não é mais crime defender a descriminalização dela, o mesmo vale para os demais crimes. Dizer o contrário seria uma contradição); autorizou a soltura do terrorista e assassino italiano Césare Battisti, amado pela esquerda radical, desrespeitando um tratado internacional entre Brasil e Itália; e transformou a união homossexual em “entidade familiar”, conferindo-lhe a possibilidade de casamento e adoção de crianças, pisando descaradamente na Constituição e fazendo as vezes de Congresso Nacional, legislando por canetada.

Sinceramente, esse STF que está aí não merece o mínimo respeito. Estamos vivendo uma pantomima de democracia representativa e de estado de direito, já que não vale mais o que está na lei, mas, sim, o que essa arrogante plêiade de progressistas togados acha que é melhor. Esses senhores querem ser a encarnação dos sábios da utópica República de Platão. Em vez de serem os guardiões da segurança legal, só estão nos dando insegurança. Código Penal não vale mais nada. Tratado internacional não vale mais nada. A Constituição? Também não vale mais. Esperar o quê, agora, do STF?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Miséria Teológica da Igreja Brasileira

Sabemos que toda generalização é um convite ao erro. No entanto, desde que considerada criticamente, a generalização se presta como ferramenta não somente útil para nossa reflexão, mas até mesmo como recurso indispensável. É justamente este o uso que pretendo fazer de uma generalização que, considerada isoladamente, poderia parecer odiosa a muitos.

Refiro-me à miséria teológica vivida pela Igreja evangélica. O juízo negativo, obviamente, não desperta simpatias. Como falar em “miséria teológica” numa época em que se multiplicam tanto as instituições teológicas brasileiras quanto as publicações (incluídas, aqui, as mais diferentes “Bíblias de estudo”)? Mais ainda: de que igreja estamos falando? Evidentemente, não há uma Igreja brasileira, mas uma diversidade de corpos eclesiais cujos históricos e experiências são necessariamente diversos. A realidade teológica desses grupos é igualmente multifacetada.
Mesmo levando em conta essa diversidade, existem elementos suficientes para embasar uma análise de conjunto. Descontados os riscos da generalização, encontramos ainda solo firme o suficiente para falarmos em termos de um “estado geral” da reflexão teológica nas comunidades evangélicas brasileiras. Não tratarei, aqui, das honrosas exceções a esse panorama, mas apenas dos elementos que têm cooperado para formar, na minha opinião, esse quadro geral.
Testemunho eloquente de nossa miséria teológica poderia ser encontrado em nossas editoras: ainda é mínimo o número de títulos teológicos publicados por autores nacionais; dentre esses, é menor ainda o de trabalhos conduzidos com seriedade teológica. Em grande medida, o que temos são textos calcados em determinadas linhas doutrinárias denominacionais ou, então, produções que não vão além de repisar temas caros ao “grande público” evangélico.
Colonização teológica
O primeiro fator determinante de nossa miséria no campo da teologia encontra-se em nossa colonização teológica. A Igreja evangélica brasileira data do século 19 e, em sua maior parte, foi estabelecida por movimentos missionários oriundos dos países anglo-saxões. Boa parte desses movimentos enfrentou, na passagem do século 19 para o 20, controvérsias em seus locais de origem entre teologias “liberais” (ou seja, mais ou menos abertas aos problemas críticos da modernidade; o designativo “liberal” é de uma imprecisão absurda) e “conservadoras” (aquelas que se opunham à “abertura” dos “liberais”). Em geral, os movimentos missionários foram patrocinados por entidades que, de uma forma ou de outra, alinharam-se às facções conservadoras em suas denominações de origem.
Isso fez com que, logo de início, os grupos evangélicos brasileiros se definissem a partir de agendas “conservadoras”. Especialmente a partir da década de 1950, o Brasil tornou-se “campo missionário” para entidades fundamentalistas norte-americanas que entendiam como sua missão “salvar” a Igreja evangélica brasileira dos perigos do “liberalismo”. Assim, no início da década de 1950, as principais igrejas evangélicas do país foram visitadas, sucessivamente, pelo pastor francês Marc Boegner, representante do Concílio Mundial de Igrejas (visto como “liberal” pelo protestantismo autóctone), e pelo pastor norte-americano Carl McIntire, presidente do Concílio Internacional de Igrejas Cristãs (International Council of Christian Churches ou ICCC), de tendência fundamentalista. As principais denominações conservadoras deram apoio à visita de McIntire, a ponto de considerá-la uma espécie de “cruzada” em prol da sanidade teológica do protestantismo brasileiro.[1]
Essa polarização não apenas operava distorções brutais ao trabalhar com rótulos imprecisos (“liberal”, “conservador”), mas ela também empobrecia o debate teológico, à medida que a pesquisa séria era rejeitada em função dessas mesmas rotulações vagas. Além disso, salvo poucas exceções, o mercado editorial evangélico esteve por muito tempo nas mãos de editoras ligadas a grupos denominacionais de tendências conservadoras; o que era publicado – e, consequentemente, colocado diante dos olhos do público leitor brasileiro – era fruto de um pesado controle ideológico.
Dicotomia entre teologia e devoção cristã
A esse quadro já deprimente, devemos agregar outros elementos. O movimento carismático, bem como todos os movimentos que lhe vieram na esteira (“neopentecostais”, “comunidades”, movimentos de “restauração da Igreja”; como sempre, designações assim são profundamente insatisfatórias), conservaram uma dicotomia básica entre teologia e devoção cristã. A primeira era vista ora na chave de um tradicionalismo ressequido, ora como manifestação de um “intelectualismo” inimigo da verdadeira devoção. Essa desconfiança em relação ao trabalho teológico – que, na prática, começou com os mesmos grupos “conservadores” norte-americanos que, em fins do século 19, saíram das Faculdades de Teologia e passaram a fundar seus “Institutos Bíblicos” – gerou frutos sinistros nos ambientes carismáticos: um desconhecimento profundo dos critérios teológicos mais simples, uma enorme incapacidade de fazer a “ponte hermenêutica” entre o “então” do texto bíblico e o “agora” da sua aplicação, um orgulho desmedido que enfatizava “novas revelações” e descartava como “ímpias” quaisquer críticas oriundas de uma reflexão teológica mais isenta.
Exemplos são abundantes nos meios pentecostal e carismático; lembro-me de que, cerca de 15 anos atrás, quando as comunidades evangélicas carismáticas eram varridas por fenômenos ligados a “restaurações dentárias”, uma pessoa tentou convencer-me de que a “base bíblica” para esses fenômenos estava em Amós 4.6, trecho em que lemos: “Também vos dei limpeza de dentes em todas as vossas cidades”. Na ocasião, desconversei rapidamente, até porque não estava interessado em debater com a pessoa em questão; mais tarde, em casa, consultei o texto, no qual se percebe claramente que a “limpeza de dentes” é uma referência à fome experimentada pelo povo (isso fica claro não apenas pelo contexto mais amplo, todo o capítulo 4, mas até mesmo pelo restante do versículo 6, que diz: “e falta de pão em todos os vossos lugares, contudo não voltastes para mim, diz o Senhor”). Ou então, consideremos outro exemplo, um pouco mais complexo: boa parte dos textos do Antigo Testamento invocados pelos defensores dos ensinos de “batalha espiritual” deixaria de servir a esses propósitos se fossem analisados de forma acurada, a partir de uma exegese que considerasse o momento de seu surgimento e sua intencionalidade original.
Trata-se de exemplos típicos. Esse tipo de manuseio das Escrituras no qual encontramos lá apenas e tão somente o que queremos achar tem sido tristemente comum nos ambientes pentecostal e carismático. O grande crescimento das igrejas evangélicas nos últimos anos apenas potencializou esse estado de analfabetismo teológico: não apenas pastores de pequenas comunidades, mas líderes de projeção nacional manifestam uma ignorância teológica crassa. Gente sem formação prega e ensina, fazendo com que o analfabetismo teológico gere consequências imprevisíveis no seio das comunidades.
Como causas de nossa miséria teológica, temos, portanto, a desconfiança para com o trabalho teológico, especialmente aquele conduzido com rigor crítico e metodológico, e a força de antigas rotulações, em geral aplicadas a partir de pontos de vista ideologicamente comprometidos. Somadas, essas causas resultam num panorama em que, com poucas exceções, a reflexão teológica ou é francamente desestimulada ou é mantida dentro de limites fixados de antemão pelas lideranças denominacionais.
Nesse cenário, a própria questão da relevância ou não das “Bíblias de estudo” precisa ser repensada. Sem dúvida, os objetivos a que se propõem são louváveis; todavia, justamente por falta de preparo teológico, o uso desse material pode tornar-se contraproducente. A menos que desejemos tomar determinada “Bíblia de estudo” como infalível, devemos reconhecer que todas elas devem ser apropriadas criticamente; em outras palavras, numa Bíblia de estudo devem ser objetos de reflexão crítica não apenas as colocações mais abertamente teológicas ou “confessionais”, mas também as informações de natureza histórica e arqueológica (visto que estas também não representam dados isentos, mas estão, na maioria das vezes, atreladas a posicionamentos ideológicos e dependem das interpretações de seus formuladores). No entanto, esse tipo de reflexão crítica não é algo que fazemos de maneira automática; é preciso aprender a pensar criticamente. Transmitir essa habilidade deveria ser uma das funções de um bom curso teológico.
Em suma, apenas o trabalho teológico sério pode reverter a miséria teológica na qual fomos mantidos por muito tempo. Enquanto não rompermos a (falsa) dicotomia entre reflexão e devoção, e enquanto não superarmos os (falsos) rótulos que tanto assustaram no passado a Igreja evangélica brasileira, continuaremos vítimas do subdesenvolvimento teológico.
Rui Luis Rodrigues é teólogo e historiador. Vive em Osasco/SP com sua esposa e filho e participa da Comunidade Carisma. É autor de Realização do homem, realização de Deus: Ensaios de Teologia e Espiritualidade (Editora Reflexão, 2009) e de Deus ama o que é humano – E outros estudos de espiritualidade. (Editora Reflexão, 2010).

Morte da esposa do cantor Adailton Silva de Ponto Novo BA

Acidente envolvendo o cantor Adailton Silva deixa uma pessoa morta


Adailton sofreu alguns ferimentos, mas passa bem
Na manhã desta quinta-feira (30), quando se dirigia à cidade de Vitória da Conquista-BA, para participar da Convenção Estadual das Assembleias de Deus, o cantor evangélico Adailton Silva, 30 anos, envolveu-se num acidente na BR 407, trecho próximo a Macajuba-BA. Segundo as primeiras informações passadas pelo próprio cantor à família e aos amigos, via celular, seu carro acabou rodando na pista e foi atingido na parte direita por outro carro. Nesse acidente, sua esposa Nathally Lima Silva, 22 anos, acabou falecendo ainda no local.
Nathally, sua esposa, faleceu no local do acidente
Parentes e amigos aglomeram-se na casa dos pais dela, Iranilton e Elza, proprietários da Madeireira União, para os consolarem. A tristeza é muito grande e o clima na cidade é de total comoção.
O corpo de Nathally chegou à Igreja Evangélica Assembleia de Deus por volta das 23 horas. Uma multidão aguardava dentro e do lado de fora para prestar as últimas homenagens. Muita emoção envolveu a todos quando a mãe, D. Elza, se aproximou em estado de choque, chorando e gritando. A multidão presente chorou juntamente com ela. O pai ainda é aguardado, uma vez que se encontrava no Estado do Pará.
O sepultamento acontecerá nesta sexta (01), apartir das 11 horas da manhã, no cemitério local.

No seu perfil no Orkut, Nathally postou no local destinado à cidade, a seguinte frase: ∂є ραѕѕαgєм иα тєяяα. Além de um texto que a descrevia na rede social:

A Menina dos Olhos de Deus!!!!
A menina que a vida ensinou a crescer...
Qua  a prova não a fez desistir...
Qua as  difuculdades não a desanimaram...
A mulher que Deus capacitou, ungiu, para Vencer, para ser Forte, para seguir em frente.
É isso que estou fazendo, lutando, conquistando VECENDO!!!
Flecha Veloz nas mãos de DEUS!!!

terça-feira, 28 de junho de 2011

Pastor David Wilkerson, parte para a glória....!

Morre o pastor David Wilkerson

Pr.David e Esposa Gwen
Por Judson Canto
Morreu ontem num acidente automobilístico, no estado do Texas, Estados Unidos, o pastor David Wilkerson. Ele dirigia um sedã Infinity e colidiu de frente com um caminhão. De acordo com o Departamento de Segurança daquele estado, Wilkerson não estava usando cinto de segurança. A esposa do ministro, Gwen Wilkerson, de 70 anos, usava o cinto e sobreviveu. Ela foi transportada de helicóptero para o East Texas Medical Center, de Jacksonville, e seu estado é grave. O motorista do caminhão, Frederick Braggs, de 38 anos, foi atendido no mesmo hospital, mas sofreu apenas ferimentos leves.
David Wilkerson é conhecido mundialmente pelo seu trabalho na evangelização de drogados e jovens marginais e também pelo livro A cruz e o punhal,  que relata os primeiros anos de seu ministério. Ele é o fundador do Desafio Jovem, entidade internacional dedicada a recuperar jovens do mundo das drogas e do crime.
A morte de David Wilkerson, aos 79 anos, também cala uma das vozes mais poderosas contra os desvios doutrinários e as aberrações comportamentais que invadiram a Igreja nos últimos anos. Ele se mostrava profundamente angustiado com a situação e com a letargia do povo de Deus diante do avanço desses modismos, cobrando uma atitude dos cristãos. Ele dizia: “Nós nos agarramos a nossas retóricas religiosas e conversas sobre avivamento, mas nos tornamos tão passivos! A verdadeira paixão nasce da angústia. Toda verdadeira paixão por Cristo vem de um batismo de angústia”. Que a sua morte não seja motivo de esquecermos as suas palavras.

Carro de David Wilkerson após o choque com um caminhão

(Fontes: CBNThe Washington PostPalestine Herald Press.)

domingo, 26 de junho de 2011

Lésbicas e Pastoras!







Três semanas depois de inaugurar uma igreja inclusiva e voltada para acolher homossexuais no Centro de São Paulo, o casal de pastoras Lanna Holder e Rosania Rocha pretende participar da Parada Gay de São Paulo, em 26 de junho, para "evangelizar" os participantes. Estudantes de assuntos ligados à teologia e a questões sexuais, as mulheres encaram a Parada Gay como um movimento que deixou de lado o propósito de sua origem: o de lutar pelos direitos dos homossexuais. As duas pastoras vão se juntar a fiéis da igreja e a integrantes de outras instituições religiosas para conversar com os participantes da parada e falar sobre a união da religião e da homossexualidade. Mas Lanna diz que a evangelização só deve ocorrer no início do evento. “Durante [a parada] e no final, por causa das bebidas e drogas, as pessoas não têm condição de serem evangelizadas, então temos o intuito de evangelizar no início para que essas pessoas sejam alcançadas”, diz.


“Sempre que se fala em homossexualidade na religião, fala-se de inferno. Ou seja, você tem duas opções: ou deixa de ser gay ou deixa de ser gay, porque senão você vai para o inferno. E ninguém quer ir para lá”, diz Lanna. A pastora afirma que assumir a homossexualidade foi uma descoberta gradual. “Conforme fomos passando por essas curas das quais não víamos resultado, das quais esperávamos e ansiávamos por um resultado, percebemos que isso não é opção, é definitivamente uma orientação. Está intrínseco em nós, faz parte da nossa natureza.”


Segundo as duas mulheres, após a aceitação, surgiu a ideia de fundar uma igreja inclusiva, que aceita as pessoas com histórias semelhantes as delas. “Nosso objetivo é o de acolher aqueles que durante tanto tempo sofreram preconceito, foram excluídos e colocados à margem da sociedade, sejam homossexuais, transexuais, simpatizantes”, diz Lanna. Assim, a Comunidade Cidade de Refúgio foi inaugurada no dia 3 de junho na Avenida São João, no Centro de São Paulo. Segundo as pastoras, em menos de 2 semanas o número aumentou de 20 fiéis para quase 50. Mas o casal ressalta que o local não é exclusivo para homossexuais. “Nós recebemos fiéis heterossexuais também, inclusive famílias”, diz Rosania.


Um Lembrete: Quero convidar você agora a assistir a um vídeo gravado pela "pastora" Lanna Holder no congresso "Gideões Missionários da Última Hora" anos antes de assumir sua opção sexual. Assista e tire sua próprias conclusões.





Fonte da reportagem e da foto: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/06/pastoras-lesbicas-querem-fazer-evangelizacao-na-parada-gay-de-sp.html (o vídeo foi publicado primeiro no Genizah).


Michael Jackson...

DOMINGO, 26 DE JUNHO DE 2011

Pai de Michael Jackson contribuiu para a sua morte

 

Há dois anos, morria Michael Jackson, em sua mansão de Los Angeles, nos Estados Unidos. Sua inesperada partida deste mundo fez com que muitos se lembrassem destas palavras de Jesus: “Pois que aproveitaria ao homem ganhar todo o mundo e perder a sua alma? Ou que daria o homem pelo resgate da sua alma?” (Mc 8.36,37).

Em certo sentido, Michael ganhou o mundo todo. Mas, onde está a sua alma? Embora 
tudo leve a crer que ele tenha partido sem a certeza da vida eterna, não me arrisco a dizer que esteja no Hades. Somente o Rei dos reis sabe o que aconteceu nos últimos instantes da vida do “rei do pop”. Lembra-se do infrator arrependido, salvo aos 45 minutos do segundo tempo” (Lc 23.33-43)?

Mas o falecimento precoce de Michael deixou para nós algumas lições. 
A primeira é de que o homem não conhece o futuro nem pode impedir os desígnios de Deus. Em uma entrevista, Jackson declarou, referindo-se aos shows que pretendia realizar em Londres, Inglaterra, em 2009: “Até julho”. Ele só  esqueceu de acrescentar: “se Deus quiser” (Tg 4.13-15).

Outra lição: o dinheiro, a fama, a genialidade, o carisma, o talento, a popularidade e a quantidade de amigos e fãs não trazem a verdadeira felicidade e a certeza da vida eterna. 
Jackson era uma pessoa triste, vazia, carente, que buscava ser feliz mudando a aparência com cirurgias plásticas, as quais o deixaram irreconhecível.

Na verdade, o que Michael Jackson precisava, prioritariamente, era de uma transformação interior, pela qual obtivesse de Cristo a “esperança da glória” (Cl 1.27). Ele possuía um vazio que somente a graça de Deus poderia preencher. Mas ele precisava também de carinho paterno.


A insatisfação do 
“rei do pop” com a sua aparência começou na infância. Seu pai — um homem avarento, ganancioso e aproveitador —, além de roubar a infância do próprio filho, o “incentivava” a cantar batendo no seu rosto e xingando-o de macaco.

Em Provérbios 22.6, está escrito: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer, não se desviará dele”. Quando uma criança é maltratada pelo próprio pai, dificilmente será feliz e normal. Já está comprovado pela ciência que maus tratos na infância podem alterar até mesmo os genes de uma pessoa.

Insensível, o pai de Michael Jackson aproveitou-se da morte do filho para ganhar mais dinheiro: passou a cobrar para dar entrevistas. Ele se vangloriava de ter elevado o menino ao estrelato. Entretanto, foi também o principal responsável pelas permanentes esquisitices e infelicidade do filho.

O pai de Michael, que conhece a Palavra de Deus, devia ter atentado para Efésios 6.4: “pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4). Afinal, um dia, na eternidade, todos os pais prestarão contas a Deus...

Quanto a mim, espero receber a minha recompensa, ao lado de meu honrado pai, naquele grande Dia, em que a promessa do Senhor se cumprirá: 
“E eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo para dar a cada um segundo a sua obra” (Ap 22.12).  

Maranata!

Ciro Sanches Zibordi