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domingo, 11 de setembro de 2011

11 de Setembro de 2001 - Até hoje o "mundo" sofre.

Dez anos depois de 11 setembro 2001
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João Cruzué

As Torres Gêmeas eram o jardim suspenso dos Estados Unidos. O lugar onde a águia americana pousava, inabalável, para fazer seu ninho em completa segurança. Elas faziam parte de um complexo de sete edifícios, que constituíam o World Trade Center, em Manhattan - o coração financeiro de Nova York. Em 04 de abril de 1973, quando foram inauguradas, eram os mais altos edifícios do planeta. Sua magnificência durou menos de uma geração: 28 anos, cinco meses, 11 dias e 10 horas. Amanhã fará 10 anos que elas foram derrubadas por um ataque terrorista de radicais islâmicos financiados pela Al Qaeda do árabe, Osama bin Laden. Milhões de entrevistas e opiniões serão dadas. Quero refletir um pouco com você, sob o ponto de vista espiritual, sobre causas e consequências de sua construção e queda.

A Torre Sul, ou Torre 2, tinha 415 metros e 110 andares; um deck de observação da cidade de Nova York; olhando as fotos do passado sua identificação é simples, pois não tinha uma antena de TV no topo, como a Torre Norte. Foi a segunda a ser atingida, às 9:03 h da manhã e a primeira a ruir, às 09:59. Não sei em quanto tempo ela foi construída, mas levou apenas 56 minutos para se tornar um monte de entulhos e produzir uma nuvem de pó que podia ser vista a muitos quilômetros de distância. A Torre Norte ainda estava fumegando, quando a televisão mostrou, ao vivo, o piloto terrorista jogar um Boeing 767, com as asas inclinadas a 45º, contra a Torre Sul. Eu estava no quarto de minha filha, assistindo à TV, e posso confirmar que Deus permitiu que em plena luz do dia (Greenwich: 14:03 - 14:59) o coração dos americanos fosse abalado, porque o ninho da Águia fora derrubado e se fez pó.

Há uma grande polêmica rondando as conversas dos americanos desde o ano passado. O povo muçulmano, principalmente os que congregam em NY, querem uma licença da "City Hall" para a construção de uma grande mesquita bem próxima ao local do colapso das duas Torres. Uma parte da população acha que não há lugar para preconceito na terra da oportunidade. A maioria não concorda. Não sou americano, mas posso dar minha opinião: Na terra de Maomé, nas proximidades da mesquita sagrada de Al Masjid Al-Haram, em Meca, é possível obter uma licença da Prefeitura para se construir um grande templo evangélico ou católico? Quando as duas torres caíram em Nova York, o sentimento e as manifestações do povo muçulmano foram de pesar? Seguindo o princípio da reciprocidade, sou compelido a opinar que a construção de uma grande mesquita, próxima ao "Ground Zero" não deveria receber tal licença.

Analisando espiritualmente a questão, há um fato interessante a comentar. A inauguração das duas maiores torres do mundo - em 1973 - se deu no dia 04 de abril. Exatamente a 05 anos do assassinato do Pastor Martin Luther King em 04 de abril de 1968. Um dia de luto nacional foi escolhido (intencionalmente ou não) para inaugurar duas torres de babel. Babel de fato, pois eram de 70 países, as 2.996 pessoas mortas pelos ataques dos 19 terroristas mulçumanos radicais. Na minha opinião a escolha da data de sua inauguração das duas Torres profanou a memória do grande pastor evangélico. Um profeta de Deus, que foi muito bem sucedido em seu ministério, de mostrar ao mundo e ao povo americano que a cor da pele não deve ser pretexto para o ódio, preconceito e injustiça contra uma pessoa. O orgulho e a loucura expressos ostensivamente em 04 de abril de 1973, não subsistiram à ação de outra forma de preconceito - 28 anos mais tarde.

E, o que vai acontecer com a combalida nação americana? Em postagens anteriores, eu achei que a Águia estaria enferma e depauperada. Depois de mais análises, mudei de opinião. Sob o ponto de vista bíblico, é no vale que as orações se multiplicam e os corações se humilham. É no vale que podemos ver que somos pó e que só a UM que pode nos colocar sobre os montes - o Senhor JEOVAH dos exércitos. Deus permitiu que os EUA fossem humilhados diante do mundo, para mostrar que não se deve confiar no próprio braço e na força do próprio poder, mas no SENHOR, sob cuja bandeira os peregrinos ingleses deram início à grande nação americana. A Águia vai continuar voando mais alto e voltará para construir seu ninho no alto de outra torre, no mesmo lugar, e ainda mais alta. Às vezes, para subir mais alto, é preciso descer ao pó.

Quem mais perdeu com os ataques terroristas de "911" não foram os Estados Unidos, mas a religião muçulmana que ficou associada como berço do terrorismo internacional. Os mesmos boeings 767 que foram atirados contra os edifícios americanos, explodiram também a imagem do Islã como religião intolerante. O radicalismo contra Israel foi universalisado em 11 de setembro, e isso é uma mancha que não se pode apagar. Desde quando é preciso matar, em nome da pureza de uma religião? As informações que reuni mostram, smj., que Osama bin Laden recebia grandes contribuições de "despretensiosos" milionários sauditas, no fundo também adeptos da destruição do "grande satã". Pesoalmente fiquei chocado com as imagens veiculadas na TV de mulheres muçulmanas jubilando pelas ruas de vários paízes árabes, ao saber da grande "proeza" da "Al Qaeda". E debaixo dos dois monturos, jaziam corpos e pedaços de corpos de quase 3.000 pessoas, inclusive muçumas. Ignorância e maldade.

George W. Bush foi demonizado, como o grande idiota que levou os Estados Unidos a duas guerras e 10 trilhões de dólares em dívidas. Eu não penso assim. Para cada Torre os Estados Unidos derrubaram uma nação. Assim como em um passado não muito distante derrubaram outras duas. Eu prefiro ainda ficar com eles, pois sua missão é ser o Guardião de Israel. Se é Deus quem estabeleceu assim, por que vou me posicionar contra? Não tenho idolatria por Israel, mas a existência de um povo tão pequeno ao longo de três milênios não é um fato do acaso, para mim.

Vou terminar, deixando mais este comentário: Deus é um ser perfeito. A perfeição vem da soma dos detalhes. Não se deve pisar sobre o túmulo de um profeta para construir uma torre nem derrubá-la perante os olhos do mundo para fazer apologia (intolerância) religiosa. As duas atitudes não ficam sem Sua resposta.

POPULAÇÃO EVANGÉLICA ATUAL NO BRASIL


Tabela com a população evangélica por Estados

Tabela com dados estatísticos

JOÃO CRUZUÉ

Publiquei no final de agosto a tabela acima com base em um estudo do economista Marcelo Neri da FGV, combinados com os dados do Censo 2010 do IBGE @Estados. Para uma população de 190,7 milhões, os estudos apontavam um percentual de evangélicos da ordem de 20,23%, ou seja, 38,6 milhões de crentes.

Para rever minhas publicações: 1) População Evangélica do Brasil 2009 ; 2) FGV - Os Evangélicos voltam a crescer e 3) Projeção Censo 2010 - em 05.04.2009

Como o IBGE ainda não disponibilizou os resultados da pesquisa de "Religiões" do Censo 2010; e mesmo que isto fizesse, tais números não seriam provenientes de uma contagem real, mas de uma estatística por amostragem.

Então, considerando que no mês de agosto de 2011 a população do Brasil alcançou 192 milhões de habitantes, estimo [com base em minhas pesquisas (FGV/IBGE), dentro de uma pequena margem de erro] que os evangélicos de todos os credos no Brasil, incluindo aqueles que não estão congregando, são por volta de 40,3 milhões de crentes ou 21%.

Estudos da própria FGV apontam que, depois de 2007, a Igreja Católica voltou a perder adeptos nas mesmas proporções da década de 90. Isso pode ser mesmo verdade, uma vez que Bento XVI já tem viagem agendada para o Brasil em 2012.

Somos 40 milhões de evangélicos. Isso é motivo para alegria? Não! Quantidade não significa que todos tenham um compromisso de fidelidade com o Senhor Jesus. Há muito o que fazer nas áreas de discipulado e evangelização.

Fonte: Blog Olhar Cristão (João Cruzué)

sábado, 10 de setembro de 2011

A unidade que está nos destruindo
A.W. Tozer


Quando unir-se e quando dividir-se, eis a questão, e uma resposta abalizada exige a sabedoria de um Salomão.
Alguns resolvem o problema de maneira simples e prática: Toda união é boa e toda divisão é má. Muito fácil. Mas esta maneira simplista de tratar do assunto ignora as lições de história e se esquece das profundas leis espirituais que regem a vida do homem.
Se os homens bons desejassem a união e os maus a divisão. ou vice-versa, isso simplificaria as coisas para nós. Ou se pudesse ser mostrado que Deus sempre une e o diabo sempre divide, seria fácil encontrar nosso caminho neste mundo confuso. Mas as coisas não são assim.
Dividir o que deve ser dividido e unir o que deve ser unido faz parte da sabedoria. A união de elementos heterogêneos jamais é boa mesmo que possível, nem a divisão arbitrária de elementos semelhantes. Isto se aplica certamente tanto às coisas morais e religiosas, como às políticas e científicas.
Deus foi quem fez a primeira divisão, quando separou a luz das trevas no momento da criação. Esta divisão estabeleceu a regra para todo o comportamento divino na natureza e na graça. A luz e as trevas são incompatíveis. Tentar ter ambas no mesmo lugar ao mesmo tempo é tentar o impossível e o resultado será sempre nulo, nem uma nem outra, mas obscuridade e escuridão.
No mundo dos homens, atualmente são poucos os contornos que se destacam. A raça acha-se decaída. O pecado trouxe confusão. O trigo cresce junto com o joio, as ovelhas e os cabritos coexistem, as terras dos justos e injustos ficam lado a lado na paisagem, a missão tem o bordel como vizinho.
As coisas, porém, não serão sempre assim. Está chegando a hora em que as ovelhas serão separadas dos cabritos, o joio do trigo. Deus dividirá novamente a luz das trevas e todas as coisas se agruparão segundo a sua espécie, O joio irá para o fogo junto com o joio, e o trigo para o celeiro com o trigo. A névoa se levantará como acontece com a neblina e todos os contornos surgirão nítidos. O inferno será sempre reconhecido como inferno e o céu irá revelar-se como o lar de todos os que possuem a natureza do Deus único.
Aguardamos com paciência essa hora. Enquanto isso, para cada um de nós e para a igreja onde quer que apareça na sociedade humana, a pergunta repetida deve ser: Com o que devemos unir-nos e do que separar-nos? A questão de coexistência não existe aqui. O trigo cresce no mesmo campo com o joio, mas deve haver polinização mútua entre eles? As ovelhas pastam junto aos cabritos, mas devem procurar cruzamento entre as espécies? Os injustos e os justos gozam da mesma chuva e do mesmo sol, mas devem esquecer suas profundas diferenças morais e casar-se?
A resposta popular a estas perguntas é afirmativa. Unir-se sempre e os homens serão irmãos apesar de tudo. A unidade é tão preciosa que preço algum é demasiado para alcançá-la e nada é suficientemente importante para manter-nos separados. A verdade é sufocada para celebrar a festa de casamento do céu e do inferno, e tudo isso a fim de apoiar um conceito de unidade que não se baseia na Palavra de Deus.
A igreja iluminada pelo Espírito não aceita isso. Num mundo caído como o nosso a unidade não é um tesouro que deva ser comprado ao preço da transigência. A lealdade a Deus, a fidelidade à verdade e à preservação de uma boa consciência são jóias mais preciosas do que o ouro de Ofir ou os diamantes extraídos da mina. Por causa dessas jóias homens sofreram a perda de propriedades, a prisão e até a morte; por elas, mesmo em épocas recentes, por trás das várias cortinas, os seguidores de Cristo pagaram até o último centavo o preço de sua devoção e morreram silenciosamente, desconhecidos e não aplaudidos pelo grande mundo, mas conhecidos de Deus e caros ao seu coração paterno. No dia em que forem declarados os segredos de todas as almas, eles irão apresentar-se para receber as obras feitas no corpo. Esses são certamente filósofos mais sábios do que os seguidores religiosos da unidade sem significado, que não possuem coragem suficiente para colocar-se contra as modas correntes e que clamam por irmandade só porque tal coisa acha-se no momento em foco.
"Divida e conquiste" é o refrão cínico dos líderes políticos maquiavélicos, mas Satanás sabe também como unir e conquistar. A fim de colocar uma nação de joelhos o ditador em potencial precisa primeiro uni-la. Através de apelos repetidos ao orgulho nacional ou à necessidade de vingar-se de alguma injustiça passada ou presente, o demagogo consegue unir a população à sua volta. Depois disso é fácil dominar os militares e submeter o legislativo. Segue-se então, na verdade, uma unidade quase perfeita, mas trata-se da unidade do curral ou do campo de concentração. Vimos isto acontecer várias vezes neste século, e o mundo irá vê-la uma vez mais quando as nações da terra se unirem sob o Anticristo.
Quando as ovelhas confusas começam a cair num despenhadeiro, a ovelha que quiser salvar-se individualmente precisa separar-se do rebanho. A unidade perfeita em tal momento só pode significar destruição total para todos. A ovelha sábia, para salvar sua própria pele, se afasta.
O poder se encontra na união de coisas homogêneas e na divisão das heterogêneas. Talvez aquilo que precisamos nos círculos religiosos de hoje não seja mais união, mas uma certa divisão sábia e corajosa. Todos desejam a paz, mas pode ser que o reavivamento use a espada.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Recebi pelo email do pr. Heber Soares

Médico naturalista ensina...

Um médico naturalista estava muito triste porque participou de
congressos e, embora comprovados, os resultados não eram divulgados, como
ele disse “NÃO DÁ IBOPE''. Então ensinou a fazer um exercício simples que
evita problemas cardíacos.

1º. Antes do banho, exercitar a panturrilha (levantar o corpo na ponta dos
pés), primeiro rápido até esquentar as panturrilhas e depois uma sequência
de 10 movimentos lentos. Pronto.
Esse exercício bombeia o sangue para o coração, melhora os batimentos
cardíacos e evita obstrução das veias.
Nos primeiros 6 meses, se a pessoa estiver com excesso de peso, ela
emagrece da cintura para baixo e, nos 6 meses seguintes, da cintura para
cima; depois de 2 anos, não engorda mais e, alem de tudo, diminui o risco
de uma cirurgia cardíaca que custa em média, hoje em dia, R$38.000,00 e,
de um modo geral, os planos de saúde nem sempre pagam. melhora o problema
de micro varizes.

2º. Ao chegar em casa, coloque os seus pés em uma bacia com água bem
quente (o famoso escalda pés) além de relaxar, esse processo desencadeia a
dilatação dos vasos sanguíneos dos pés, melhora o cabelo e melhora,
inclusive, a visão.
Esse processo foi pesquisado com pessoas diabéticas e o resultado
evidenciou a melhora na circulação sanguínea, diminuindo os casos de
gangrena, o quadro geral de saúde dos pesquisados melhorou e, como um fato
relevante, a melhora da visão. Evita o encurvamento da coluna.

3º. Ao acordar, deitado de barriga para cima pedalar 120 vezes no ar.
Esse exercício melhora o posicionamento da coluna e da postura, diminuindo
ou retardando o encurvamento das costa e aliviando as dores nas costas,
baixando a pressão.

4º. Ao perceber que a pressão subiu, coloque as pernas dentro de um balde
com água muito gelada até os joelhos. Permaneça nesta imersão por 20 min.
Este processo fará com que o organismo, na busca de aquecer os membros
inferiores. Faça com que o acúmulo de sangue na cabeça desça, baixando a
pressão.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Joyce Meyer ungida mas não infalível!

Uma crítica dos livros “Beleza Em Vez de Cinzas” e “Approval Addiction”

Joyce Meyer ficou muito popular através de suas pregações e dos vários livros que escreveu. Embora não seja psicóloga, seus textos freqüentemente fazem referência aos abusos que sofreu na infância, e seus ensinos são parecidos com a “sabedoria” psicológica popular sobre os efeitos do abuso infantil. Esta crítica faz a resenha de dois de seus livros: Beleza em vez de cinzas: Recebendo cura emocional (BC), 2006, e Approval Addiction: Overcoming Your Need to Please Everyone (AA) [O Vício da Aprovação: Superando sua necessidade de agradar todo mundo, em tradução livre; não editado no Brasil], 2005. Com certeza existe alguma verdade nesses livros, mas ela está tão terrivelmente emaranhada com erros de psicologia, que todo cuidado é pouco.


O abuso de crianças é um pecado horrível e um problema real na nossa sociedade. Os cristãos precisam demonstrar sua compaixão, compreensão e esperança.

É muito importante enfatizar que o abuso de crianças é um pecado horrível e um problema real na nossa sociedade. Os cristãos precisam demonstrar sua compaixão, compreensão e esperança. O propósito desta crítica não é minimizar a ofensa sofrida ou a gravidade do problema, mas, sim, levar tanto o praticante quanto a vítima desse pecado a buscarem a Deus e à Sua Palavra, e a se afastarem das teorias e métodos falhos da psicoterapia moderna, que parecem ser úteis, mas mantêm as pessoas na escravidão.

A infância conturbada de Meyer serve de cenário para grande parte de seu ensino. Em Beleza Em Vez de Cinzas, Meyer ressalta os abusos que sofreu na infância e expressa sua crença de que muitas pessoas que parecem “íntegras” são, na verdade, extremamente perturbadas interiormente:

Existem muitas, muitas pessoas que parecem ser todas certinhas por fora, mas por dentro são um desastre. Esta era a minha situação antes de aprender que a principal preocupação do Senhor é a minha vida interior. Mateus 6.33 afirma que devemos buscar primeiro o reino (lembre-se, ele está dentro de você) e a sua justiça, e então essas outras coisas nos serão acrescentadas (BC, negrito acrescentado).

Sofri abusos sexuais, físicos, verbais e emocionais desde quando consigo me lembrar até o dia em que finalmente saí de casa, aos dezoito anos (BC).


A Escritura tem muito a dizer sobre a ira pecaminosa, mas Meyer a atribui aos pecados de outras pessoas, e não ao coração da própria pessoa irada.

Existe uma mentalidade de vítima que aflora em todos os textos dela.

Mentalidade de Vítima


Um dos problemas mais graves com a psicoterapia moderna, tanto a secular quanto a “cristã”, é a tendência de considerar os indivíduos como vítimas e não como pecadores. Esta mentalidade de vítima está presente em todos os textos de Meyer, como neste exemplo: “Tendo sido ferida e ainda não conhecendo o modo como Deus age, acabei magoando meus próprios filhos”.(BC)

O aspecto mais perturbador e antibíblico é esse suposto elo causal entre os abusos sofridos na infância (os pecados dos outros) e os pecados que o próprio indivíduo vem a cometer mais tarde, na vida adulta. Meyer faz afirmações radicais sobre essa relação causal:

Começar a vida enraizados num sentimento de rejeição é o mesmo que ter uma rachadura no alicerce da nossa casa (AA, p. 186).

Meu único sistema de referência era o modo como fui criada. Eu tinha raízes podres, doentes e, portanto, meus frutos eram maus (AA, p. 190).

Meyer propõe uma cadeia de causalidade que atinge uma geração após a outra:

Freqüentemente, pessoas problemáticas se casam com pessoas problemáticas. Depois de destruírem uma à outra, seus problemas são transferidos aos filhos, que por sua vez se transformam na próxima geração de pessoas problemáticas e atormentadas (BC).

Se retrocedermos o suficiente ao longo dessa cadeia causal, chegaremos a Adão e Eva, que não tinham pais terrenos a quem responsabilizar – mas tentaram botar a culpa em Deus.

A teoria de Meyer sobre a ira mostra muito bem a direção em que esse caminho nos leva. A Escritura tem muito a dizer sobre a ira pecaminosa (veja, por exemplo, Provérbios 15.1, Efésios 4.25-31, Colossenses 3.8, Gálatas 5.19-20), mas Meyer a atribui aos pecados de outras pessoas, e não ao coração da própria pessoa irada:

[...] quando examinamos a questão da raiva excessiva, verificamos que sua raiz geralmente está em problemas do passado (AA, p. 143).

Pessoas que foram feridas não ficam apenas com raiva, mas muitas vezes procuram também uma compensação pelas injustiças que sofreram (AA, p. 147).


O foco nos pecados que outras pessoas cometeram no passado geralmente leva a uma ênfase na recordação desses pecados e no “tratamento” dessas lembranças.

Seguindo o raciocínio de Meyer, chegamos à conclusão de que quando uma pessoa irada procura vingança, a culpa, na verdade, é de uma outra pessoa. Rebelião, pobreza, “vício em aprovação”, incapacidade de manter bons relacionamentos, sentimentos de rejeição, auto-imagem ruim, vergonha internalizada, mas também realizações positivas, supostamente têm origem no que outras pessoas fizeram no passado:

A raiz da rebelião freqüentemente é a rejeição. Pessoas rebeldes passaram pelo sofrimento de serem rejeitadas. Essas pessoas são agressivas, e sua agressividade é uma raiva interna que se manifesta como rebeldia (AA, p. 197, negrito acrescentado).

A causa principal do vício em aprovação é geralmente uma ferida emocional (AA, p. 106, negrito acrescentado).

Pessoas que sofreram abusos, que foram rejeitadas ou abandonadas, geralmente são inseguras [...] esses indivíduos são dominados por sentimentos de vergonha e culpa, e têm uma auto-imagem muito ruim (BC, negrito acrescentado).

Uma vez, ouvi dizer que 75 por cento de todos os líderes mundiais sofreram abusos e experimentaram uma forte rejeição. Quando ouvi essa estatística, fiquei assombrada. Mas isso acontece simplesmente porque os indivíduos que sofreram abusos e rejeições se esforçam mais do que a maioria das pessoas para realizar alguma coisa importante, para serem aceitos (AA, p. 198).


Como Meyer pode ter certeza de que os que foram ofendidos, mas conseguiram realizar algo importante, fizeram isso para serem aceitos pelos outros?

Como Meyer pode ter certeza de que os que foram ofendidos, mas conseguiram realizar algo importante, fizeram isso para serem aceitos pelos outros? Como ela explicaria os pecados dos que não sofreram abusos graves, dos que cresceram em lares crentes, mas se desviaram? E quanto às pessoas que realizam grandes feitos, mas não foram vítimas de abusos na infância? Onde se encaixa a responsabilidade pessoal pelo pecado neste quadro em que tantos problemas da vida são atribuídos aos pecados de terceiros?

Cura das Memórias

Esse foco nos pecados que outras pessoas cometeram no passado geralmente leva a uma ênfase na recordação desses pecados e no “tratamento” dessas lembranças:

Essas pessoas [que estão sendo curadas dos abusos] precisam sair de seu estado de negação e encarar a verdade. Pode haver coisas que elas esqueceram porque eram dolorosas demais, coisas que terão que ser recordadas e enfrentadas durante o processo de cura (BC).

Um versículo bíblico é usado fora de contexto para dar apoio a essa tese:

Pessoalmente, sempre achei que o colapso emocional de minha mãe foi o resultado dos anos de abuso que ela havia sofrido e do fato de ela se recusar a enfrentar e lidar com a verdade. Lembre-se de que, em João 8.32, nosso Senhor nos disse: “e conhecereis a Verdade, e a Verdade vos libertará” (BC, negrito no original).

Essa passagem de João é citada freqüentemente por psicólogos para justificar o tema da cura das memórias, mas a verdade, no contexto desse versículo, é o evangelho, não os fatos sobre abusos passados. Não existe nenhum lugar na Escritura que nos mande relembrar, trazer à tona ou repetir os pecados cometidos contra nós no passado para que nosso processo de santificação possa avançar.

Necessidades Não-Satisfeitas

A mentalidade de vítima também tende a enfatizar as necessidades individuais não-satisfeitas, em vez do serviço a Deus e ao próximo. Como muitos outros, Meyer alega que Deus pode preencher o vazio e satisfazer essas necessidades:

[...] se enquanto você estava crescendo não recebeu tudo o que precisava para ficar forte e saudável, Jesus terá prazer em lhe dar tudo isso agora (BC, citando Efésios 3.17, Colossenses 2.7, João 15.5).


A Bíblia nos diz que devemos colocar Deus e os outros acima de nós mesmos, às vezes deixando de lado nossas próprias necessidades e desejos, por amor ao reino de Deus.

Será que Deus supre as nossas necessidades? Claro que sim! Devemos pedir-Lhe que supra nossas necessidades legítimas, segundo Suas riquezas? Sim! Entretanto, o problema está na definição dessas necessidades quando o foco é colocado no eu – aceitação, aprovação e prazer – em vez de, por exemplo, ousadia para pregar o evangelho ou recursos para servir a Deus. Além disso, Meyer (e outros) critica os que põem suas próprias necessidades em segundo plano para servir aos outros: “Pessoas que querem agradar os outros costumam abrir mão de suas próprias necessidades legítimas regularmente, e com muita facilidade” (AA).

Negligenciar necessidades realmente legítimas (por exemplo, a saúde ou o sono) para atender a propósitos ímpios de outras pessoas e obter sua aprovação pode ser um problema. No entanto, a Bíblia nos diz que devemos colocar Deus e os outros acima de nós mesmos, às vezes deixando de lado nossas próprias necessidades e desejos, por amor ao reino de Deus. Ao longo da história (e ainda hoje), houve mártires que sacrificaram a própria vida pela fé cristã. Qual seria a reação desses santos diante do ensino psicológico de que suas “necessidades” pessoais de aceitação, aprovação e prazer são mais importantes que o evangelho?

Conclusão

Joyce Meyer tornou-se uma escritora e pregadora extremamente popular, com uma longa lista de livros publicados. Essa breve resenha de dois de seus livros (publicados com um intervalo de 11 anos) mostra que os leitores não devem presumir que Joyce Meyer é tão “ungida” ao ponto de seus ensinamentos serem infalíveis. Ao contrário, muito do que ela diz é uma repetição da psicologia popular que hoje enche as prateleiras das livrarias seculares e cristãs. (Debbie Dewart, PsychoHeresy Awareness Letter

Odeio a Censura por isso vou censurar você!!!

Em atitude totalmente hipócrita e em nome de um suposto princípio que repudia, repele e barrar qualquer tentativa de censura e restrição à liberdade de imprensa, PT quer total controle e censura em blogs, jornais, livros, TVs, rádios, etc.

A notícia abaixo é do Portal Terra e cheira, nas entrelinhas e fora delas, a mentiras e censura:
PT APROVA TEXTO PRELIMINAR COM PROPOSTA DE REGULAÇÃO DA MÍDIA
Laryssa Borges
Militantes e dirigentes aprovaram neste sábado, durante o 4º Congresso do Partido dos Trabalhadores (PT) em Brasília, texto preliminar que faz duros ataques à "mídia conspiradora" e que propõe um marco regulatório para os meios de comunicação como forma de combater a "partidarização" e a "parcialidade" da imprensa. A proposta faz parte da resolução política e ainda poderá receber adaptações até ter seu conteúdo fechado neste domingo.
"A crescente partidarização, a parcialidade, a afronta aos fatos como sustentação do noticiário preocupam a todos os que lutam por meios de comunicação que sejam efetivamente democráticos. Por tudo isso o PT luta por um marco regulatório capaz de democratizar a mídia no País", diz trecho do documento preliminar do PT.
No texto, o partido relembra a inexistência de uma Lei de Imprensa ¿ em 2009 o Supremo Tribunal Federal (STF) a considerou incompatível com a Constituição - e diz que atualmente alguns veículos fazem um "jornalismo marrom (...) que deve ser responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar".
"Para nós é questão de princípio repudiar, repelir e barrar qualquer tentativa de censura e restrição à liberdade de imprensa. Mas o jornalismo marrom de certos veículos, que às vezes chega a práticas ilegais, deve ser responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar", diz trecho do texto básico.
"A inexistência de uma lei de Imprensa, a não regulamentação dos artigos da Constituição Federal que tratam da propriedade cruzada de meios, o desrespeito aos direitos humanos presente na mídia, o domínio midiático por alguns poucos grupos econômicos tolhem a democracia, silenciam vozes, marginalizam multidões, enfim, criam um clima de imposição de uma única versão para o Brasil", completa o partido.
Na abertura do Congresso do PT nesta sexta, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu em defesa do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu. Alvo de uma reportagem de revista Veja o ex-ministro foi retratado como um político que teria um gabinete informal em um hotel de Brasília para "conspirar" contra o governo Dilma. Neste domingo, Dirceu deve receber uma moção de desagravo no congresso petista.
Independentemente da crítica à imprensa, o Congresso do PT também prevê manter em seu documento final o repúdio ao polêmico projeto que criminaliza práticas cometidas por meio da internet. "Nosso repúdio ao projeto 84/99, que se originou e tramita no Senado, o AI-5 digital, pois pretende reprimir a livre expressão na blogosfera", diz o texto.
Pelo projeto relatado pelo deputado Eduardo Azeredo (PMDB-MG), por exemplo, passa a ser crime a divulgação ou utilização indevida de informações e dados pessoais por hackers ou usuários comuns. Para o PT, o projeto que classificam como AI-5 Digital merece críticas no que diz respeito ao armazenamento pelo prazo de três anos de dados de endereçamento eletrônico de computadores, classificado pelos opositores do texto como quebra de privacidade, e à adoção de penas de reclusão muito altas para delitos que não comportariam a mesma gravidade.
Fonte: Portal Terra

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Danny Berríos é vaiado e quase linchado pelos Fãs!

Danny Berrios é vaiado e apedrejado por recusar-se a cantar

O famoso artista cristão, Danny Berrios, foi vaiado por mais de 1.500 cristãos, que lhe atiraram pedras, garrafas e copos plásticos, por recusar-se a cantar no centro esportivo "Hector O Viking-Monegro", alegando faltar 10 mil pesos do valor do seu cachê, combinado em contrato com um pastor evangélico.

Berrios, que excursionou por toda a América, comemorando 30 anos de carreira como cantor gospel, apresentou-se às 11:40h., dizendo ao público que não cantaria por haver muito poucas pessoas e porque os 50 mil pesos acertados em contrato com o pastor Fernando Betancourt não haviam sido honrados.A multidão já estava impaciente para assistir ao seu show e começou a gritar: "apareça, apareça, cante, cante!"

Por não atender ao apelo da platéia, as pessoas começaram a descer para o vestiário para perguntar o que estava acontecendo.

Depois que todo mundo estava ciente do que se passava nos bastidores, seus fãs conseguiram juntar entre si 40 mil pesos, mas por faltar os 10 mil para completar o valor do cachê, o cantor manteve a decisão de não cantar.

Revoltada contra a decisão do cantor, a multidão desceu da arquibancada e começou a cantar slogans contra o artista, chamando-o de irreverente e desrespeitoso.

Ao tentar fugir do local, Berrios foi encurralado por um grupo raivoso que lhe atirava todo tipo de objetos, incluindo garrafas de água e pedras. Não fosse a intervenção da polícia, uma tragédia poderia ter ocorrido.

Os organizadores estavam cobrando entre 300 e 400 pesos pelo show de Danny Berrios.

Li no conceituado Blog do Rev. Hermes Fernandes

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Agnes Ozman



Agnes Ozman (1870-1937) era uma estudante de Charles Fox Parhan na Bethel Bible College em Topeka, Kansas. Agnes Ozman foi considerada por muitos como "A primeira a falar em línguas". Suas experiências despertaram o moderno movimento pentecostal, que começou no início do século 20.

Seus pais eram agricultores e, desde a infância, Agnes e seus seis irmãos participaram da Igreja Metodista Episcopal, em Nebraska. Como uma mulher jovem, Agnes participou das instituições bíblicas de seu tempo e, eventualmente, participou da Bethel Bible College em Kansas.

Em 01 de janeiro de 1901, Agnes Ozman se tornou a primeira membro

do corpo discente em Bethel Bible College em Topeka.

Na Bethel Bible College, Agnes alcançou o auge de sua experiência espiritual, recebendo o batismo com Espirito Santo durante uma tarde de serviço na escola.

Em uma carta de 1922 a Eudorus N. Bell, afirma Agnes que ela não entendia a língua ser a evidência do Espírito antes de sua plenitude: "Antes de receber o Consolador, eu não sabia que eu iria falar em línguas quando recebi o Espírito Santo porque eu não tinha este entendimento bíblico. Mas depois que eu recebi o Espírito Santo falando em línguas, tudo se revelou para mim e soube que eu tinha a promessa do Pai, como está escrito e como Jesus disse!

Ela disse:

"Na manhã seguinte, depois de receber esse presente poderoso, fui abordada com perguntas sobre a minha experiência na noite anterior... Eu indiquei referências bíblicas para mostrar que eu tinha recebido o batismo como Atos 2.4 "E todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar noutras línguas conforme o Espírito lhes concedia que falassem.."

A experiência inicial Agnes Ozman foi um marco na história do pentecostalismo moderno. Mesmo depois de uma noite de sono, ela era incapaz de falar Inglês na manhã seguinte. De acordo com Parham, continuou falar em línguas por três dias. Tentando se comunicar com os alunos curiosos, ela diz que pegou um lápis para escrever:

"Quando comecei a escrever, eu escrevi caracteres de outras línguas! Alguns dos textos interpretados contém uma mensagem maravilhosa! "

Parham acreditava que os caracteres eram de origem chinesa. Em uma entrevista com o Kansas City Times, Parham também afirmou que outros alunos cheios do Espírito Santo eram agora capazes de "escrever por inspiração."

A noite após o início do falar em línguas, as palavras de Agnes eram compreendidas por um homem que passava na rua, que a ouviu falar quando ela estava à serviço na missão da escola em Topeka, no centro da cidade. Esse incidente confirmou para o Parham e seus alunos que pelo menos alguns receberam evidência com línguas estrangeiras, inteligível. Parham acreditava que este era o método pelo qual o Espírito nos ajuda a Igreja na evangelização do mundo.

Quando a Bethel foi dissolvida, Agnes Ozman continuou servindo o Senhor no trabalho missionário. Mais tarde, ela conheceu e se casou Filemon M. LaBerge, e ambos foram ordenados Pastores pelo Conselho Geral das Assembléias de Deus. (As Assembléias de Deus já consagravam mulheres a Pastoras em 1935) Como tantos outros pioneiros do pentecostalismo, ela sempre demonstrou uma insaciável fome de Deus e um desejo de ser completamente entregue ao trabalho de Seu Reino. Sua experiência em Bethel tornou-se um precedente poderoso para o nascente movimento da Fé Apostólica (Que mais tarde originou a Assembléia de Deus) e incentivou outras pessoas a irem mais profundo nas águas do avivamento, cheios do Espirito.

O papel de Agnes Ozman foi ser peça chave na recuperação do ensino apostólico de línguas como evidência bíblica do batismo com Espírito Santo e que isto não deve ser jamais ignorado. As chamas do Pentecostes se espalharam a partir da escola de Bethel, em Topeka e se alastraram em um incêndio global, com o poder do Espírito Santo manifesto, evidenciado pelo falar em línguas.

O que Deus fez nascer na alma de uma pioneira de 30 anos, das planícies de Kansas, agora arde no coração de milhões de Pentecostais espalhados pelo mundo todo.

Agnes Ozman adormeceu e foi recolhida ao seu Senhor em 1937 por uma insuficiência cardíaca.


Fonte: www.basemissionaria.com.br

domingo, 14 de agosto de 2011

Feliz Dia dos Pais!

Hoje dia 14 de Agosto de 2011, é um dia que em todo Brasil comemoramos o dia dos pais.
Eu tive pai, mas no dia 10 de dezembro de 2003, meu pai foi chamado à eternidade. Tenho muita saudade dele. Sinto sua falta. A tristeza não é maior porque sei onde ele está e o Espírito Santo me consola.

Meu pai nasceu no dia nove de maio em 1942. De uma família de seis irmãos, ele era o primogênito dos homens. Minha tia Balbina, minha tia Elionai, minha tia Maelí, meus tios: Manoel e Dario são exemplos de pessoas que venceram e ainda vencem as adversidades, porque adquiriram uma natureza forte.

Desde tenra idade, meu pai José Gomes de Oliveira sofreu os reveses da ignorância religiosa, que vieram com implacável investida contra a sua família.

A separação dos meus avós, aconteceu por causa da prática religiosa de adivinhação e das mentiras do inimigo das nossas almas. Isso deu ao meu avô uma assistente possessa de demônios que trouxe como consequência o seu envolvimento amoroso com esta criatura, ocasionando a separação.

O meu avô ficou ausente da família, trazendo como consequência o trabalho para o infante José Gomes de Oliveira que para sustentar seus irmãos e minha avó Maria Benedita de Oliveira, trabalhava desde muito cedo em padarias, em feiras livres vendendo carnes que ele conseguia em consignação, e em outras atividades de força braçal.

Por causa do trabalho, não teve como completar seus estudos, mas isso não o impediu de vencer na vida e de se realizar como homem e pai de família.

Ainda adolescente mudou-se para Juazeiro da Bahia, depois de um atentado contra a sua vida, a convite de Antônio Jacinto Nicodemos, seu tio, irmão da sua mãe que morava e era negociante naquela cidade. Venderam tudo e viajaram de Miguel Calmom, também na Bahia, para Juazeiro, onde fizeram domicílio até o dia de hoje.

Em Juazeiro, meu pai trabalha e volta para Jesus Cristo do qual estava afastado. Dando início a sua vida de sucesso espiritual e material.

Casa-se em 1968 com Iva Martins de Sousa e desse matrimônio nascem cinco filhos, dentre os quais eu sou o primogênito. Em 1970, ele vai morar em Serra da Carnaíba, distrito de Pindobaçú na Bahia e ali abre em sociedade, um "corte" de esmeralda. Abre também um restaurante e em Senhor do Bonfim no ano de 1972 é consagrado ao santo ministério pelo saudoso pastor Rodrigo Santana. É empossado como dirigente da igreja ali em Serra da Carnaíba, residindo até 1977. Vem de regresso à Juazeiro e ali começa a trabalhar com lanchonete na Av. Adolfo Viana, na esquina com a rua Antônio Pedro. É reconhecido o seu presbitério. Em convite pelo pastor Manoel Marques de Souza vai até uma congregação no distrito de Abóbora. Sente a chamada para trabalhar naquele campo, ao ver o templo fechado e alguns irmãos dispersos. Em 1980 muda-se para Abóbora e fica quatro anos naquele lugar até mudar-se para o Núcleo Residencial Pilar, uma vila de operários da Caraíba Metais; empresa extratora de cobre no município de Jaguarari Bahia. Reside ali por nove anos e muda-se para a cidade de Sento-Sé e resumindo, vai a Poções, Amélia Rodrigues, Filadélfia, Caraíba Metais onde é chamado à glória, na madrugada do dia 10, depois de participar de uma convenção de pastores em Salvador no dia 09/12/2003, no centro de convenções.

Meu pai marcou minha vida porque ele era muito apegado aos filhos e à família. Falou-nos das muitas experiências que viveu e pelo seu exemplo, testemunhado por mim, posso dizer que vi
poucos homens que possam ter o caráter, o testemunho e o amor pela obra de Deus que ele deixou nesta vida. Seu maior legado foi o seu exemplo de abnegação e de devoção ao Mestre Jesus e o seu papel de pai exemplar. Sou feliz por ter tido em minha vida um pai como foi o meu pastor José Gomes de Oliveira.



Desculpem os erros de português!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A Vida do Novo Convertido - Caramuru Afonso Francisco
Publicado em 13 de Julho de 2011 as 03:18:30 PM Comente
O novo convertido deve ser nutrido, educado e integrado ao reino de Deus.

INTRODUÇÃO

- Na sequência do estudo da doutrina do reino de Deus, estudaremos hoje como deve ser tratado o novo convertido.

- Assim como ocorre na vida secular com as crianças, o novo convertido também deve ser inserido no reino de Deus pela Igreja.

I - O NOVO CONVERTIDO PRECISA SER NUTRIDO

- Após termos visto o que é o reino de Deus e qual a sua mensagem, passaremos ao segundo bloco de nosso trimestre, que nos mostra a manifestação do reino de Deus através de vários aspectos.

- Como já temos visto, o reino de Deus não tem aparência exterior(Lc.17:20), o que não significa que não seja perceptível, já que, como também disse Nosso Senhor, de grão de mostarda se torna a maior das hortaliças (Mc.13:31,32).

- Diante disto, passaremos, a partir de agora, a ver diversas manifestações do reino de Deus, a fim de que saibamos como ele se apresenta, já que, como também disse o Senhor Jesus, o reino de Deus está entre nós (Lc.17:21).

- Uma das manifestações do reino de Deus se dá através da vida do novo convertido. Com efeito, quando alguém é salvo pela fé em Cristo Jesus, tornando-se uma nova criatura, isto é percebido por todos os que se encontram à sua volta, já que este novo convertido passa da morte para a vida (Jo.5:24), das trevas para a luz (Jo.3:21; At.26:18; I Pe.2:9).

- Jesus, em seu Seu diálogo com Nicodemos, afirmou que para se ver o reino de Deus é necessário “nascer de novo” (Jo.3:3). Ora, como ensina o apóstolo Paulo, somente se consegue ver o reino de Deus quando, pela fé em Cristo Jesus, se consegue superar a cegueira espiritual imposta pelo diabo a todos quantos não alcançaram ainda a salvação (II Co.4:3,4).

- Portanto, o “novo nascimento” está relacionado com a fé em Cristo Jesus, vinda pelo ouvir pela Palavra de Deus(Rm.10:17) e fruto da operação do Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo.16:8), motivo por que o próprio Jesus, no diálogo já aludido, disse que este nascimento é um nascimento do Espírito (Jo.3:6,8).

- Ao fazer a analogia entre a salvação e o nascimento, o Senhor Jesus nos mostra, com absoluta clareza, que o novo convertido, ou seja, aquele que, por crer em Jesus, alcança a salvação da sua alma, é, num primeiro momento, um recém-nascido, um neonato e que, portanto, deve assim ser tratado por todos aqueles que pertencem à Igreja, a esta nação santa que saiu das trevas para a maravilhosa luz do Senhor e que, por causa disto, deve anunciar as virtudes de seu Salvador (I Pe.2:9).

- Todos os salvos, portanto, devem estar atentos para esta realidade dita pelo Senhor Jesus a respeito do novo convertido: ele é um recém-nascido e, como tal, precisa, a exemplo do que ocorre na vida biológica humana, de todos os cuidados para que venha a ter condições de viver sozinho.Como diziam os antigos, nascida uma criança é necessário que se tomem todas as providências para que ela possa “vingar”, ou seja, tenha condições de sobreviver por conta própria, o que não ocorre de imediato.

- Esta realidade espiritual não é entendida por muitos lamentavelmente. Não são poucos os que, diante de uma conversão, começam a exigir do novo convertido um comportamento maduro, uma vida completamente mudada, de uma hora para outra, sob o argumento de que a salvação é instantânea, de que, quando somos salvos, passamos da morte para a vida, das trevas para a luz.

- Não resta dúvida de que a salvação é radical, pois, diz-nos a Bíblia Sagrada, que, ao sermos salvos, há uma transformação total em nosso ser, pois de mortos passamos a vivos, de filhos das trevas a filhos da luz, de filhos do diabo a filhos de Deus. As Escrituras são claras ao dizer que, com a salvação, somos “novas criaturas”, onde as coisas velhas passam e tudo se faz novo (II Co.5:17).

- No entanto, esta “nova criatura” que surge no exato momento em que somos salvos, este “novo homem” que somente surge quando o homem velho morre, a exemplo do ocorre com o grão de trigo (Jo.12:24), não surge como uma criatura madura, já inteiramente formada, que pode sobreviver por si só.

- Quando vemos a própria analogia da semente, empregada mais de uma vez pelo Senhor Jesus, sabemos que é necessário que o grão morra para que surja uma nova planta, um novo ser, mas este novo ser, ainda que novo, não aparece já totalmente formado e em condições de também frutificar. Não, senhores! O novo ser, surgido com a germinação, é, ainda, um pequenino ser, que precisa se desenvolver até chegar a ser uma planta completa e madura, capaz de, ela também, produzir novas sementes que tenham a capacidade de gerar novos seres.

- De igual maneira, o recém-nascido, quando sua mãe lhe dá a luz, é um novo ser (já o era desde o momento da fecundação), mas não tem condições de sobreviver por conta própria enquanto não se desenvolver, enquanto não se formar, seja sob o aspecto biológico, seja sob o aspecto moral, seja sob o aspecto espiritual.

- Por isso, labora em grave equívoco todo aquele que desconsiderar este processo de desenvolvimento espiritual. A salvação vem com o novo nascimento mas, entre o novo nascimento e a maturidade espiritual, a capacidade de sobreviver espiritualmente por conta própria (falamos em termos humanos, pois sempre dependeremos do Senhor Jesus para prosseguirmos até a entrada no reino de Deus - Jo.15:5 “in fine”), há um período, período este que não é mensurável em dias, meses e anos, visto que se trata de uma realidade espiritual, razão pela qual devemos ter esta consciência para que, com amor, nós, os que já estamos amadurecidos espiritualmente, não sirvamos de escândalo e venhamos a ocasionar o tropeço na fé daqueles que nasceram de novo e, vendo o reino de Deus, precisam aprender a caminhar em direção a ele (Rm.14).

- O novo convertido, a exemplo do recém-nascido, precisa ser cuidado e acompanhado em seu desenvolvimento e tal cuidado deve ser feito, por primeiro, por aqueles que foram participantes na salvação daquela vida, os chamados “pais na fé”.Vemos a consciência desta responsabilidade no apóstolo Paulo, que se considerava o “pai na fé” de Timóteo (I Tm.1:2; II Tm.1:2; 2:1).

- Nem sempre o “pai na fé” é aquele que pregou o Evangelho para o novo convertido. Paulo, pelo que se deduz dos seus próprios escritos, não foi o primeiro a falar das sagradas letras a Timóteo, que fora evangelizado por sua avó e por sua mãe (II Tm.1:5; 3:15), tanto que, quando Paulo o convida para fazer parte de seu corpo de cooperadores, Timóteo já tinha bom testemunho ante os irmãos que estavam em Listra e Icônio (At.16:1,2).

- Entretanto, guiado pelo Espírito Santo, Paulo sentiu de “adotar” aquele “filho na fé”, assumindo a responsabilidade de orientar e cuidar desta alma, responsabilidade esta que pôs em alta conta, a ponto de, pouco antes de sua morte, ter ainda escrito as últimas instruções a este seu “filho” (II Timóteo é a última carta escrita pelo apóstolo).

- Como filhos de Deus, nós, os salvos, temos de estar prontos a assumir a responsabilidade de termos “filhos na fé”, que, acima de tudo, são nossos irmãos, comprados com o precioso sangue de Jesus vertido na cruz do Calvário (I Pe.1:18,19), sabendo, também, que cada novo convertido vale mais do que o mundo inteiro (Sl.49:7,8).

- O “pai na fé” não é um “senhor” em relação ao “filho”, pois, tendo sido comprados por bom preço, os salvos não podem se fazer servos dos homens (I Co.7:23), mas, a exemplo de José, que não era o pai biológico de Jesus mas assumiu integralmente a responsabilidade de criá-lo e educá-lo, assim também temos de assumir, diante de Deus, sem temor, a responsabilidade de criar e educar aqueles novos convertidos que Ele nos põe em nossos caminhos.

- Além dos “pais na fé”, também são responsáveis pelo desenvolvimento do novo convertido aqueles que o Senhor põe à frente do rebanho, os pastores,que devem ter a mesma consciência que o apóstolo Paulo tinha em relação aos gálatas. Paulo dizia que os crentes da Galácia eram seus filhinhos, pelos quais ele sentia dores de parto até que Cristo fosse neles formado (Gl.4:19).

- Em outra passagem, desta vez em carta à igreja em Corinto, Paulo dizia que se sentia oprimido interiormente cada dia pelo cuidado de todas as igrejas (II Co.11:28), a indicar o peso da responsabilidade que estava sobre seus ombros com relação ao desenvolvimento espiritual dos crentes das igrejas que havia fundado, responsabilidade ainda maior com relação aos novos convertidos, que não podem andar por si sós na jornada espiritual.

- Esta mesma responsabilidade é lembrada por Paulo a Timóteo, seja como requisito para a separação de pastores (I Tm.3:5), seja para o próprio Timóteo, que é advertido a cuidar de cada segmento da igreja (I Tm.5:1-3, 21, 22; II Tm.2:10,24).

- De igual forma, o apóstolo Pedro, também, lembra aos pastores que eles devem apascentar o rebanho de Deus não como tendo domínio sobre ele, mas dando o exemplo (I Pe.5:3), o que é ainda mais necessário com relação ao novo convertido, que, como criança espiritual, aprende sobretudo pelo exemplo dado pelos mais maduros.

- Mas não são apenas os “pais na fé” e os pastores que têm de cuidar do novo convertido, mas cada crente deve fazê-lo. Por primeiro, porque os salvos devem ensinar uns aos outros (Cl.3:16) e isto, naturalmente, faz com que cada salvo maduro seja um ensinador dos novos convertidos.

- Por segundo, porque, como irmãos, devemos amar uns aos outros (Jo.15:12,17: Ts.4:9) e este amor não é apenas de palavras, mas de ações concretas, de atitudes (I Jo.3:18) e quem ama a seu irmão está na luz e nele não há escândalo (I Jo.2:10), ou seja, cada salvo precisa ter uma vida sincera e reta diante de Deus para não causar tropeço ao novo convertido e ao fraco na fé, residindo aí o seu cuidado para com o neoconverso.

- Visto que o novo convertido, como recém-nascido espiritual que é, precisa ser cuidado tanto pelo “pai na fé”, quanto pelo pastor como por todo crente, que cuidados são estes?

- A analogia feita por Jesus prossegue. O novo ser, assim que fecundado no ventre materno, precisa, para ter condições de sobreviver, de alimentação, de nutrição. Tanto assim é que o principal órgão durante todo o período de gestação é o cordão umbilical, que é responsável pela nutrição do novo ser, levando o sangue da placenta até o feto.

- O novo convertido é gerado pela Palavra de Deus, que, como um cordão umbilical, leva a vida até o pecador, através do perdão dos pecados pelo sangue de Cristo Jesus (I Pe.1:3,4,23). É a terra em que cai a semente da Palavra e que não foi arrebatada pelo maligno e que, por conseguinte, pôde germinar e dar surgimento a um novo ser espiritual (Mt.13:5-8).

- No entanto, assim que nasce, o cordão umbilical do recém-nascido é cortado e tem ele de ser alimentado doravante com o leite materno, indispensável para que possa sobreviver e tenha condições de se desenvolver e ser capaz de ter outro tipo de alimentação.

- De igual maneira, o novo convertido, assim que nascido, precisa ser alimentado com o “leite racional”(I Co.3:2; Hb.5:12,13; I Pe.2:2). Que é este “leite”? A própria Bíblia Sagrada nos responde: os primeiros rudimentos das palavras de Deus.

- O primeiro cuidado que temos de ter com o novo convertido é o da sua nutrição, o de sua alimentação. Ora, o alimento espiritual do salvo é a Palavra de Deus (Mt.4:4) e o novo convertido, como todo salvo, precisa se alimentar da Palavra, mas, como é um recém-nascido, tem de ser alimentado com o “leite racional”, com os “primeiros rudimentos das palavras de Deus”.

- Jesus, ao deixar a grande comissão aos Seus discípulos, disse que eles deveriam ir por todo o mundo, pregando o Evangelho a toda criatura (Mc.16:15), este “pregar” é complementado pelo “ensinar”, “ensinar” este que o Mestre por excelência (Mt.23:8) determinou fosse feito em dois estágios: “ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt.28:19, 20a).

- Percebe-se, claramente, que o Senhor fala em ensino duas vezes: a primeira, o “ensino a todas as nações” (em algumas versões, consta “fazer discípulos”, ou seja, preparar “alunos” de Jesus), antes do batismo nas águas e, depois, o ensino aos discípulos já formados, para que guardem os ensinos de Jesus.

- É exatamente o que fala o escritor aos hebreus, que distingue dois tipos de alimento espiritual: o leite e o sólido mantimento (Hb.5:12). Isto nos leva, então, à realidade de que o novo convertido precisa ter uma alimentação especial da Palavra, o “leite”, que nada mais é que o discipulado cristão.

- Para cumprir a tarefa do ensino da Palavra, é preciso, em primeiro lugar, que a Igreja se veja dotada de homens e mulheres preparados para ensinar. Na igreja de Antioquia, Barnabé, ao notar a salvação daqueles crentes, imediatamente viajou para Tarso, para trazer a Paulo, pessoa que ele sabia ser preparada e capaz de ensinar aqueles novos convertidos (At.11:25,26).

- Para se fazer o discipulado, é indispensável que demos o devido valor à Palavra de Deus, Palavra que o próprio Deus engrandeceu a tal ponto de a pôr acima de Si mesmo (Sl.138:2). Sem esta atitude, de nada adiantará desenvolver “cursos teológicos”, “cursos bíblicos”, “cursos de preparação de obreiros” e tantas outras coisas que têm sido inventadas e postas em prática na atualidade. Se as pessoas não se conscientizarem de que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que procede da boca de Deus (Mt.4:4), um discipulado não terá êxito em qualquer igreja local. Foi isto que os apóstolos sempre fizeram, a ponto de terem arrogado para si esta tarefa e tê-la posto como prioridade absoluta em seus ministérios (At.5:42; 6:2).

- - Por isso, deve partir dos dirigentes da igreja local a tarefa do discipulado. Como pastores (e falamos aqui de função, de dom ministerial e não de título), são necessariamente mestres, ensinadores da Palavra, pois nem todo mestre é pastor, mas todo pastor é mestre, tanto que a expressão bíblica, quanto relaciona os dons ministeriais, é “pastores e mestres” (Ef.4:11). Assim sendo, se alguém está a apascentar o rebanho de Deus, deve ensinar a Palavra e fazê-lo com prioridade. Por isso, até, é este um dos requisitos para a seleção ao ministério pastoral (II Tm.3:2).

OBS: A propósito, é um dos grandes fatores que nos levou ao atual estado catastrófico em termos de ensino da Palavra a falta de observância do requisito da aptidão para ensinar na separação e consagração de obreiros na atualidade pelos ministérios, convenções e denominações.

- O dirigente da igreja local deve ser o primeiro a ter prazer em ensinar e a se esmerar no ensino da Palavra.Deve ser alguém sempre pronto a elucidar dúvidas doutrinárias dos irmãos, um assíduo frequentador da Escola Bíblica Dominical, alguém que demonstra esforço e profundidade doutrinária nos cultos de ensino, como também na pregação da Palavra nas reuniões públicas. Não precisa ser um “doutor em Divindade”, um “erudito”, mas precisa, isto sim, demonstrar conhecimento bíblico, intimidade com as Escrituras, precisa ser um obreiro aprovado, que maneja bem a palavra da verdade (II Tm.2:15).

- Além de se mostrar ele próprio um estudioso das Escrituras, o dirigente da igreja local deve exigir este mesmo perfil de seus auxiliares. Não se pode permitir obreiro que não tenha conhecimento bíblico, que não demonstre meditar na Palavra de Deus de dia e de noite. O dirigente deve incentivar os seus auxiliares no estudo da Bíblia, inclusive, se necessário, fazendo reuniões de estudos bíblicos com eles, a fim de estimulá-los a manejar bem a palavra da verdade. Deve dar atenção especial ao superintendente da Escola Bíblica Dominical e aos professores da EBD, participando das reuniões preparatórias deles sempre que possível, além de assistir às aulas da EBD, verificando, assim, como está sendo ensinada a Palavra na igreja local.

- Este cuidado deve ser redobrado om relação aos novos convertidos, assim como o cuidado é mais intenso no tocante à alimentação quando estamos diante de um recém-nascido. Por isso, é preciso haver um segmento especial da igreja local para deles cuidar. O novo convertido deve ser estimulado e incentivado a iniciar a leitura das Escrituras, sendo de bom alvitre que sejam selecionados textos que digam respeito aos fundamentos doutrinários, a fim de que o novo convertido, um neonato espiritual, seja tratado com o “leite racional” (I Pe.2:2).

- O “leite racional” é, como vimos, composto dos “primeiros rudimentos das palavras de Deus”.E quais são estes rudimentos? O próprio escritor aos hebreus responde: “o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, a doutrina dos batismos, a doutrina da imposição das mãos, a doutrina da ressurreição dos mortos e a doutrina do juízo eterno” (Hb.6:1,2).

- É lamentável vermos, nos dias hodiernos, que muitos novos convertidos jamais foram levados ao contato destas doutrinas fundamentais, não sabendo o que é o arrependimento de pecados e o que significa a conversão e a nova vida em Cristo, o que é a fé em Deus, o que é o viver pela fé (o que inclui ensino sobre a meditação nas Escrituras e a oração), o que significa o batismo nas águas e o batismo com o Espírito Santo, o que é o poder de Deus (a “imposição das mãos” nos fala da ministração do poder de Deus: cura divina, expulsão de demônios, dons espirituais, sinais e maravilhas), o que significa a ressurreição dos mortos (o sentido da ressurreição de Jesus e as promessas de vida eterna) e o juízo eterno (a salvação e condenação eternas, as últimas coisas).

- Parece que já havia uma situação similar entre os crentes hebreus, pois o escritor da carta diz que, pelo tempo, eles já deveriam ser mestres, mas, por não conhecerem os rudimentos doutrinários, ainda tinham de ser tratados com leite (Hb.5:12).

- O Senhor Jesus já alertara para este risco ao nos contar a parábola do semeador. Faz-se necessário que a semente esteja em boa terra, sem o que, mesmo germinando, a nova planta morrerá, seja por causa dos pedregais, seja por causa dos espinhos Mt.13:5-7).

- Sem o discipulado, o novo convertido jamais se tornará uma “boa terra”, pois os pedregais não serão esmiuçados pelo martelo, que é a Palavra de Deus (Jr.23:29), fazendo com que, com a angústia e a perseguição por causa da Palavra, ele morra espiritualmente (Mt.13:20,21).

- Ou, então, sem o discipulado, o novo convertido não terá energia suficiente para debelar os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas, sucumbindo ao sufocamento proporcionado por estes elementos, vindo, também, a morrer espiritualmente (Mt.13:22).

- O novo convertido deve ser acompanhado de perto pelos evangelistas da igreja local, que deverão lhe tirar todas as dúvidas que tenha e dar prioridade a que ele aprenda os fundamentos doutrinários, as bases da doutrina cristã. Tais ensinamentos devem ser dados, de forma sistemática, preferencialmente na Escola Bíblica Dominical, em classe específica para os novos convertidos, a fim de que eles possam, a um só tempo, ter conhecimento das verdades bíblicas essenciais, como também se acostumar a frequentar a EBD.

- De igual modo, não se pode levar o novo convertido a uma alimentação pesada, ao chamado “sólido mantimento”, pois, se ele ingerir este alimento pesado, também corre o risco de morrer espiritualmente, assim como, certamente, uma alimentação pesada, como feijoada, pode causar a morte de um bebê.

- Devemos ter este cuidado de evitar que o novo convertido seja alimentado com “sólido alimento”,pois isto lhe causará transtornos em sua vida espiritual que podem, inclusive, levá-lo à morte. O Senhor Jesus deixou-nos o exemplo, ao dizer que não falaria tudo que poderia aos discípulos antes de Sua glorificação, pois eles não eram, ainda, capazes de suportar (Jo.16:12), o mesmo fazendo o apóstolo Paulo em relação aos coríntios (I Co.3:2) e o escritor aos hebreus (Hb.5:12,13). Aliás, o escritor aos hebreus nos diz a quem o “leite” deve ser ministrado: àqueles que não foram experimentados na palavra da justiça.

- Nos dias hodiernos, temos visto, com relativa frequência, o descuido com relação a este tópico. Muitos novos convertidos, por causa de sua projeção na sociedade, são alçados, quase de imediato, a posições e responsabilidades nas igrejas sem que tenham capacidade espiritual para tanto. Na avidez de mostrar à sociedade a “conversão” de A ou de B, tais pessoas, verdadeiras recém-nascidas espirituais, são levadas a realizar tarefas que não têm a mínima condição de executar.

- Alguém já colocou um recém-nascido para fazer um discurso, para administrar o seu lar ou auxiliar as tarefas de seus pais ou irmãos? Logicamente que não! Mas há muitas igrejas que põem estes “novos convertidos ilustres” para pregar, para exercer funções (inclusive, pasmem, serem professores de EBD…), gerando tão somente a morte espiritual destas pessoas. Não importa quem tenha sido a pessoa no meio social, sua projeção, popularidade, riqueza, conhecimento intelectual, espiritualmente o novo convertido é um recém-nascido e assim deve ser tratado no reino de Deus!

II - O NOVO CONVERTIDO PRECISA SER FIRMADO

- Quando uma pessoa nasce de novo, encontra-se na mesma posição de Lázaro ressuscitado. Jesus, depois de quatro dias, quando o corpo de Lázaro já estava em decomposição, mostrou o Seu poder sobre a morte, fazendo-o ressurgir dos mortos. Milagrosamente, Lázaro saiu da sepultura com vida. Entretanto, é interessante notar que Lázaro foi para fora da sepultura, mas se encontrava ainda todo enfaixado, conforme os costumes judaicos de preparação do cadáver. Jesus não determinou que Lázaro fosse daquele jeito para casa nem tampouco Se incumbiu de desligar o ex-defunto. Mandou que aquelas pessoas que estavam ali vendo o milagre tratassem de tirar as faixas de Lázaro, de modo que ele próprio (Lázaro) fosse para a sua casa (Jo.11:44). Assim ocorre com o novo convertido: só Jesus poderia trazê-lo à vida, ou seja, salvá-lo; mas cabe a nós que estamos com Jesus neste mundo tomar as providências necessárias para que o novo crente se desligue de tudo aquilo que estava relacionado com a vida sem Cristo,ou seja, com a morte espiritual, para que ele, individualmente, siga em direção à sua casa, onde já o aguarda o Salvador. Aleluia!

- Este desligamento do mundo não é, por vezes, uma tarefa fácil e que se faz de imediato. Assim como, por força das convenções sociais e dos costumes existentes entre os judeus, Lázaro fora ligado com faixas em todo o seu corpo, muitas vezes a vida social impõe ao novo convertido uma série de obstáculos, um sem-número de situações que precisarão ser desatadas uma a uma e isto leva algum tempo, o que deve ser não só entendido e compreendido pela Igreja, como também deve ser alvo da ajuda e amor fraternal por parte dos salvos.

- Nos dias em que vivemos, de multiplicação da iniquidade (Mt.24:12), estas situações são ainda mais embaraçosas e requerem, da parte dos salvos, muito maior compreensão e entendimento, pois o novo convertido, muitas vezes, não tem condições de se livrar destas faixas de imediato. A propósito, Lázaro não tinha condições de se desligar das faixas, tanto que o Senhor Jesus mandou que as pessoas que ali estavam o fizessem.

- O escritor aos hebreus fala-nos da necessidade que temos, para seguir a Cristo, de não só deixarmos o pecado, como também o embaraço, a fim de que possamos correr com paciência a carreira que nos está proposta (Hb.12:1), que outra não é senão a jornada para entrarmos no reino de Deus.

- Assim, se o fato é que, quando do novo nascimento, temos os pecados perdoados e recebemos as vestes de salvação (Is.61:10), sendo retirados do lago horrível e do lamaçal do pecado e postos sobre a rocha firme, que é Cristo (Sl.40:2), temos de ter nossos passos firmados e também sermos libertos de todos os embaraços que a vida no pecado nos trouxe e que nos impede, de imediato, de andarmos por nós mesmos rumo ao céu.

OBS: Reproduzimos aqui a belíssima descrição dada por John Bunyan em “O Peregrino” a respeito da salvação de Cristão: “…Vi Cristão marchando por uma estrada que, de ambos os lados, era protegida por duas muralhas, chamadas Salvação (Isaías 26.1). É certo que ia caminhando com muita dificuldade, por causa do fardo que levava às costas, mas o seu passo era rápido e seguro; vi-o chegar a um pequeno monte onde se erguia uma cruz, junto à qual, e um pouco mais abaixo, estava uma sepultura. Ao chegar à cruz, soltou-se-lhe o fardo, instantaneamente, de sobre os ombros, e, rolando, foi cair na sepultura, donde não tornará jamais a sair. Quão aliviado e jubiloso ficou Cristão! Bendito seja Aquele que, com os seus sofrimentos, me deu descanso, e com a sua morte me deu a vida! Exclamou ele, e ficou por alguns momentos como extático, ao ver o grande benefício que a cruz acabava de fazer-lhe; olhava para um e para outro lado, cheio de assombro, até que o seu coração se expandiu em abundantes lágrimas (Zacarias 12.10). Chorava, quando diante dele apareceram três seres resplandecentes, que o saudaram com: a Paz seja contigo! E logo o primeiro dos três lhe disse: “Perdoados te são os teus pecados” (Marcos 2.5). O segundo, despojando-o dos vestidos imundos que trazia, vestiu-lhe um traje de gala (Zacarias 3.4), e o terceiro, pondo-lhe um sinal na fronte (Efésios 1.13), entregou-lhe um diploma selado, sobre o qual deveria pensar pelo caminho, e entregá-lo quando chegasse à Cidade Celestial. Ao ver todas estas coisas, Cristão experimentou imensa alegria, e continuou o seu caminho cantando, pouco mais ou menos, estas palavras: Oprimido andei sempre sob o peso de meus pecados, sem encontrar lenitivo ao meu sofrimento, até que cheguei a este lugar. Onde estou eu? Oh! Aqui é por certo o princípio da minha bem-aventurança, visto que aqui se quebraram os laços que me prendiam aos ombros o fardo que me oprimia. Eu te saúdo, ó cruz bendita! Bendito sejas, santo sepulcro! Bendito seja para sempre Aquele que em ti foi sepultado pelos meus pecados….” (O Peregrino. Obra digitalizada por Carlos_Boas, p.21).

- Este firmar dos passos, este desembaraço não é imediato. Assim como a criança demanda um tempo para iniciar a andar sozinha e Lázaro teve de ser desligado pelos que estavam ali vendo o milagre, de igual modo devem os salvos auxiliar o novo convertido, ajudando-lhe a firmar os passos, como também desligando-o daquilo que o mundo e a sociedade lhe trouxeram, durante a vida de pecado, e que o impede de prosseguir sua jornada.

- Assim, temos de ajudar o novo convertido a firmar os seus passos. E como se faz isso? Dando-lhe as mãos para que ele possa ganhar confiança e equilíbrio, podendo, assim, dar seus necessários passos de fé na caminhada rumo ao céu. Precisamos ajudar o novo convertido com conselhos, orientações e intercessão de modo a que a pessoa nova convertida possa aumentar sua fé em Cristo Jesus e n’Ele confiar, equilibrando-se, à luz da Palavra de Deus, neste mundo pecaminoso, dando passos em direção à Pátria celestial.



- Temos de ajudar o novo convertido a se desligar das faixas que o envolviam enquanto estava morto. Este desligamento, às vezes, é um ato difícil, penoso, pois há muitos “nós” e muitas faixas que já se incrustaram na vida da pessoa como situações familiares, profissionais e de vida não respaldadas pela Palavra de Deus, vícios, compromissos iníquos e tantas outras que devem ser removidas, com cuidado, uma a uma, para que se possa correr a carreira que está proposta em direção à cidade celestial.

- Estas faixas, que o monge João Clímaco (580-650) chama de “ataduras do pecado” e “ataduras dos vícios”, precisam ser retiradas para que o novo convertido, ainda nas palavras do já mencionado monge, possa ir para “uma quieta e bem-aventurada tranquilidade”. Para tanto, João Clímaco comparou a vida espiritual a uma “escada”, que teria “trinta degraus”, dos quais o primeiro é, precisamente, o da renúncia do mundo, aquilo que o apóstolo João afirmou ser não amar o mundo nem o que no mundo há (I Jo.2:15).

OBS:Reproduzamos aqui o pensamento de João Clímaco, monge que viveu no século VI e VII no Monte Sinai:“…E, por isso, os que desejam fazer firme fundamento de virtude, todas as coisas do mundo negarão, a todas desprezarão, a todas porão debaixo dos pés e a todas examinarão. E para que este fundamento seja tal, há de ter três colunas com que se sustente, que são a inocência, o jejum e a castidade. Todos os que em Cristo são crianças, têm de começar por estas três coisas, tomando por exemplo aqueles que não são de coração duro, nem fingidos, nem desmedidamente cobiçosos, nem de ventre insaciável, nem de movimentos de vícios desonestos…” (A Escada, cap.1. Disponível em: http://www.sophia.bem-vindo.net/tiki-index.php?page=Climaco+Degrau1&structure=PhilokaliaAcesso em 01 jun. 2011) (tradução nossa de texto original em espanhol).

- O novo convertido, como nos indica John Bunyan em sua obra “O Peregrino”, assim que se livra do fardo do pecado, tem de enfrentar o “desfiladeiro da Dificuldade”, que, penosamente é galgado e não sem que haja alguns contratempos e, por isso, temos de ser pacientes e amorosos, entendendo que não se trata de momento fácil na vida do novo convertido.

- A nós cabe ajudá-lo a vencer as dificuldades, assim como Moisés ajudou o povo na saída do Egito, que os guiou não só com palavras, mas com obras e oração, a fim de que não só o novo convertido consiga atravessar o Mar Vermelho mas também vença Amaleque que se lhe apresentará no deserto.

- Não devemos, porém, confundir este desligamento, que muitas vezes é penoso e dolorido, com a complacência com o pecado, como, inadvertidamente, muitos têm feito nos dias hodiernos.

- O novo convertido tem de ser tratado com cuidado, compreensão, mas não se pode deixar de mostrar-lhe a verdade e que só Jesus pode libertar o homem do pecado. Não se pode permitir que o novo convertido prossiga vivendo da mesma maneira que antes de se converter, pois, se isto acontece, não houve conversão, não houve verdadeiro e genuíno arrependimento dos pecados.

- Como vimos na lição anterior, a mensagem do reino de Deus é a pregação do arrependimento, a indispensável necessidade de abandono do pecado. A compreensão e tolerância têm de se dar no capítulo do embaraço, na superação das dificuldades trazidas pela vida pecaminosa, algo que nem sempre se dá de imediato.

- Assim, por exemplo, diante de um quimiodependente que se entrega a Cristo, deverá haver a compreensão de que o processo de libertação química da droga pode se dar lentamente e com muita dificuldade, mas jamais se poderá dizer ou ensinar que, mesmo com o uso dos tóxicos, estará aquela pessoa salva e que a circunstância de seu vício não impedirá a sua salvação.

- Este desligamento do mundo e das circunstâncias criadas pela vida no pecado somente podem ser superadas quando o novo convertido é ensinado a buscar mais a presença de Deus. Ainda citando João Clímaco, “…é de se notar que, no princípio da renúncia, não se produzem as virtudes sem trabalho, amargura e violência. Mas, depois que começamos a desfrutar, com muito pouco tristeza ou nenhuma as produzimos. Mas, depois que a natureza está já absorta e vencida com o favor e alegria do Espírito Santo, então as produzimos com gozo, alegria, diligência e fervor de caridade…”( op.cit.) (tradução nossa de texto em espanhol).

- Por isso, neste cuidado com o novo convertido, é fundamental que os salvos maduros incentivem, estimulem e acompanhem o neoconverso na busca à presença de Deus, levando-o aos cultos de oração, a uma vida de oração e meditação nas Escrituras, à busca do batismo com o Espírito Santo e dos dons espirituais. Esta característica, que era tão disseminada nas Assembleias de Deus, tem rareado nos dias hodiernos, com grave prejuízo à saúde espiritual não só dos novos convertidos mas da igreja como um todo.

- Levando o novo convertido à presença do Senhor, em oração e meditação nas Escrituras, certamente terá ele as necessárias forças para vencer os embaraços e as circunstâncias deixadas pela vida pecaminosa que ele abandonou quando viu o reino de Deus.

III - O NOVO CONVERTIDO PRECISA SER INTEGRADO

- Depois de ter ressurgido dos mortos, vitorioso sobre a morte e o pecado, o Senhor determinou aos discípulos que batizassem os convertidos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mt.28:19; Mc.16:16), ordenança esta que era bem presente na mente dos apóstolos, como podemos ver já no sermão de Pedro no dia de Pentecostes (At.2:38).

- Assim, percebemos nitidamente que, embora ausente da pregação de Jesus em Seu ministério terreno, o batismo nas águas, a exemplo do que ocorrera na pregação de João, foi considerado pelo Senhor como a única forma pela qual alguém testemunharia publicamente a sua salvação, a sua fé em Jesus. Obatismo nas águas, portanto, foi constituído pelo Senhor como a declaração pública de que alguém aceitou a Cristo como seu único e suficiente Senhor e Salvador, como passo final da integração do novo convertido à igreja local.

- Por ser uma ordem de Jesus, não há o que se discutir. Quem quer que se diga crente, ou seja, quem quer que afirma ter sido salvo por Jesus, ter crido na Sua obra redentora no Calvário, ter sido atingido pela salvação, tem de se batizar nas águas, para comprovar esta salvação. O batismo é um ato de obediência a Cristo, é uma demonstração pública de que alguém se comprometeu com Jesus, que alguém se submeteu ao senhorio de Cristo e que não mais vive, mas Cristo vive nele.

- Percebamos que a ordenança de Jesus segue o mesmo raciocínio do batismo de João que o próprio Senhor reconheceu como sendo uma prática ordenada diretamente do céu e, por isso, da parte de Deus. Assim como o batismo de João não salvava pessoa alguma, mas tão somente fazia a pessoa reconhecer que era pecadora e se comprometer a esperar e seguir o Messias que estava para chegar, assim também o batismo nas águas estabelecido pelo Senhor Jesus não salva pecados, mas representa um gesto público de confissão de que alguém se arrependeu dos seus pecados, creu em Jesus e, por isso, tem novidade de vida, uma vida em Cristo Jesus.

- Jesus é bem claro ao afirmar que quem crer e for batizado será salvo, ou seja, ser batizado é algo que ocorre só depois que a pessoa crê. Crer, i.e., ter fé é o requisito indispensável e essencial para a salvação. A salvação vem pela fé (At.26:18; Rm.3:28; Gl.2:16; Ef.2:8), não pelo batismo nas águas. É preciso crer para que se alcance a salvação, como Jesus deixou bem claro para Nicodemos no “texto áureo” da Bíblia (Jo.3:16). Por isso, estão em grande equívoco aqueles que entendem que o batismo tem algum poder de regeneração ou de salvação da criatura humana. O batismo não é para salvar pessoa alguma, mas é uma prática daquele que foi salvo em Jesus.

- Só podem ser batizados nas águas aqueles que creram em Jesus (Mc.16:16; At.18:8), e, portanto, o batismo nas águas não lava nem purifica pecados, mas somos justificados pela fé em Cristo (Rm.5:1). Portanto, a salvação vem pela fé em Cristo e não pelo batismo nas águas.

- Então, alguém que crê em Jesus e não é batizado nas águas está salvo? Depende. Por que não se batizou nas águas? Porque não teve condição de fazê-lo, como o ladrão na cruz? Então, este estará salvo, assim como esteve o ladrão na cruz, pois creu e não foi batizado nas águas por motivo alheio à sua vontade. Agora, se alguém creu em Jesus e, podendo, não se batiza porque não quer, este, na verdade, não será salvo, não porque não foi batizado, pois o batismo não salva pessoa alguma, mas, sim, porque, ao recusar ser batizado, mostra que, na verdade, não creu em Jesus, pois quem crê em Jesus obedece-Lhe.

- Um batismo é lícito quando o batizando crê de todo o coração que Jesus Cristo é o Filho de Deus, ou seja, quando tem convicção de que é um pecador, de que se arrependeu da vida pecaminosa e de que entregou sua vida a Cristo, que é seu único e suficiente Senhor e Salvador. Para tanto, o batizando tem de ser devidamente orientado e ensinado a respeito da salvação em Cristo Jesus, conforme consta das Escrituras Sagradas. “…Sem estes conhecimentos, os novos discípulos encarariam este ato sagrado simplesmente como um banho qualquer, com a única diferença de que, desta feita, estariam vestidos….” (HERNANDES, Laerte. Discipulado para o batismo consciente, p.13).

- Por isso, não pode o batismo nas águas se dar antes que novo convertido seja devidamente ensinado a respeito dos rudimentos da fé, antes que entenda o significado de ser salvo e de ter nascido de novo. É importante observar que o batismo não salva e, portanto, uma eventual demora entre a salvação da pessoa e o seu batismo nas águas não põe em risco a vida eterna da pessoa. O novo nascimento, o chamado “batismo espiritual” ou “batismo do Espírito Santo” (I Co.12:13; Gl.3:27; I Pe.3:21), é um ato instantâneo, em que somos ligados na vara, que é Cristo (Jo.15:4,5). É nossa inserção na igreja universal, no corpo de Cristo (I Co.12:27).

- Já o batismo nas águas, porém, é um testemunho público de nossa inserção na igreja universal. É um ato pelo qual o batizando diz à igreja local reunida para o ato e para a sociedade em geral que ele passa a ser um integrante desta igreja local, que ele é, doravante, um cristão, uma pessoa “parecida com Cristo”, uma testemunha de Jesus entre os homens. Tem-se, portanto, a assunção de um compromisso de, publicamente, ser apontado como testemunha de Jesus (At.1:8), de passar a ser uma prova do amor de Deus aos homens (I Co.13), uma demonstração do poder de Deus(I Co.2:4), um instrumento para a glorificação de Deus pelos homens (Mt.5:16).

- Ora, para que isto se dê, torna-se absolutamente necessário que os novos convertidos sejam devidamente instruídos, que aprendam de Jesus (Mt.11:29), conheçam o jugo do Senhor (Mt.11:30), saibam qual é a Sua doutrina (Mt.5-7). Não tem base bíblica a prática de alguns segmentos cristãos de que o batismo nas águas deve se seguir imediatamente ao gesto de decisão por Cristo.

- Os que entendem que o batismo nas águas deve se seguir imediatamente à “conversão”, buscam respaldar seus ensinos no fato de que, na igreja primitiva, há o relato de que, logo após a conversão, se procedia ao batismo. Assim teria ocorrido no dia de Pentecostes, em Samaria, com Paulo, com Cornélio, em Éfeso. Desta maneira, a Bíblia ensinaria que o batismo nas águas deve ser imediato à conversão, sem necessidade alguma de instrução ou qualquer outra providência.

- Este entendimento “bíblico”, seguido por alguns grupos desde sua origem, apareceu como uma verdadeira “luva” para “…muitas igrejas evangélicas, cujos pastores mostram-se tão preocupados com a multiplicação imediata de seus rebanhos, que não hesitam em batizar pessoas sem nenhuma preparação prévia, sem um esclarecimento profundo, distorcendo os propósitos de Deus em cada uma dessas vidas que foram compradas com o precioso sangue de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo(…). O que realmente importa para cada uma dessas mal-intencionadas igrejas é competirem umas com as outras (muitas vezes até mesmo congregações de um mesmo ministério), cada qual procura apresentar, nos dias de batismo, um maior número de candidatos, mesmo que estes não tenham sido devidamente discipulados para esse fim….”(HERNANDES, Laerte. op.cit., p.13-4).

- Entretanto, não é este o ensino das Escrituras. Por primeiro, como dissemos supra, o batismo nas águas é um ato que figura a salvação da pessoa. É um ato que torna público, conhecido de todos o que aconteceu interiormente, no homem interior do batizando. Deste modo, somente quem realmente foi salvo, quem produzir frutos dignos de arrependimento, quem demonstrar que está dando o fruto do Espírito é que pode ser devidamente batizado nas águas. A propósito, era este um requisito exigido por João para fazer o seu batismo (Mt.3:8; Lc.3:8).

- Mas, como explicar o batismo no dia de Pentecostes? Em primeiro lugar, devemos observar que o dia de Pentecostes foi o cumprimento de uma profecia, um dia singular que não pode ser tomado como regra. É interessante observar que os que defendem o batismo imediato e citam o dia de Pentecostes, se, indagados que, para haver batismo no Espírito Santo, se faz necessário que venha um som como de um vento veemente e que surjam línguas repartidas como que de fogo, dirão que isto só ocorreu no dia de Pentecostes. Então, por que se tornar regra o episódio de um fato singular?

- Entretanto, devemos notar que o auditório do sermão de Pedro era de pessoas que já tinham sido devidamente instruídas a respeito do Evangelho. Eram pessoas que haviam presenciado o ministério terreno de Cristo ou dele tomado conhecimento. Jesus havia pregado por cerca de três anos e meio, de modo que não se pode dizer que não tenha havido uma prévia preparação para aquelas vidas. Além do mais, o texto de Atos 2 nos mostra que houve verdadeira conversão daquelas vidas e que o apóstolo Pedro condicionou o batismo à comprovação da conversão. Portanto, o batismo ocorrido no dia de Pentecostes somente se deu porque se demonstrou haver efetiva conversão daqueles quase três mil que se agregaram à igreja.

- O mesmo se deu em toda a igreja primitiva. Somente se batizavam aqueles que davam real testemunho de mudança de vida, de conversão. Assim, o batismo bíblico deve se seguir à conversão e conversão somente se percebe quando a pessoa começa a dar frutos dignos de arrependimento. Assim ocorreu em Samaria, por exemplo, onde as Escrituras nos provam que este era um requisito para o batismo ao descrever a vida cristã de Simão que, por ter crido em Jesus, abandonou as artes mágicas e, por isso, foi batizado (At.8:9-13). O mesmo se deu em relação a Paulo, que somente foi batizado porque o Senhor deu testemunho a Ananias da sua conversão, conversão esta confirmada pela maravilha dupla da cegueira e de sua cura (At.9:10-18).

- Quando vamos, porém, à igreja de Antioquia, a primeira igreja gentílica, vemos que não houve ali um batismo imediato, como nos outros casos. Antes, houve um ano todo de ensino de Paulo e Barnabé àqueles irmãos que, ao contrário dos crentes judeus, eram pessoas que conhecimento algum tinham a respeito das profecias das Escrituras. Dali por diante, sempre vemos o apóstolo Paulo primeiro ensinando e discipulando os crentes, para só, então, depois fazer menção de batismo e, num momento seguinte, de escolha de obreiros para estas igrejas. Esta prática, aliás, é abundantemente registrada na história da Igreja, com o batismo sendo realizado apenas um período de ensino da doutrina, que passou a ser denominado de “catecumenato” e que durava “seis períodos”. Aliás, normalmente, os batismos eram efetuados uma vez ao ano, após uma aferição da vida de cada um dos candidatos.

OBS: “…Veja como, segundo E. Glenn Hinson, no seu livro ‘Vozes do cristianismo primitivo’ em parceria com Paulo Siepierski, da editora Sepal em coedição com a editora Temática, acontecia na igreja primitiva, por ocasião do batismo: ‘Quarenta dias antes da páscoa, a época normal para batismo, o mestre (ou bispo) finalmente decidia quais dos catecúmenos deveriam receber o batismo. Sua decisão era baseada no estilo de vida dos catecúmenos enquanto no catecumenato - se tinham vivido corretamente e manifestado amor cristão no cuidado dos pobres, daqueles em prisão, das viúvas e órfãos, e de outros necessitados. (a vida era observada para saber se a mudança operada pela graça estava presente, e vida voltada para o próximo, não bastava ter atendido ao apelo, tinham de aparecer os frutos dignos de arrependimento). Em seguida, os catecúmenos recebiam a imposição de mãos, eram “selados” com o sinal da cruz na testa e salgados - símbolos de que eles já não mais pertenciam ao diabo, mas a Cristo. Então, recebiam instrução diária e exorcismos até serem batizados. Os exorcismos eram importantes porque expulsavam as hostes satânicas que oprimiam os catecúmenos até que o Espírito Santo os libertasse de uma vez por todas (a libertação tinha de se dar na história e não apenas na confissão de fé). Na quinta-feira antes do batismo e no domingo de páscoa, os catecúmenos passavam por uma lavagem e purificação preparatória. Na sexta-feira e no sábado, jejuavam. Ainda no sábado, havia um último exorcismo; o bispo fazia um selo com o sinal da cruz e, então, se iniciava uma vigília que durava a noite inteira…” (RAMOS, Ariovaldo. Devolvam a minha igreja. Disponível em: http://www.google.com/search?q=cache:CZqUK8V6DIgJ:www.invsc.org.br/Artigos/devolvam_minha_igreja.htm+%22devolvam+a+minha+igreja%22&hl=pt-BRAcesso em 05 mar. 2005)

- O batismo nas águas é uma confissão pública que se faz da conversão e do novo nascimento. O batismo não é para salvação, mas, sim, para o salvo. É uma declaração que o salvo faz de que faz parte da Igreja, de que tem Jesus como seu Senhor e Salvador. Como, então, podemos batizar alguém que não prova que é uma nova criatura em Cristo Jesus? Como batizar alguém que nem sequer foi discipulado na igreja local a que passará a pertencer?

- O batismo nas águas é o final de um processo de integração do batizando na igreja local. A igreja local é um grupo social, é um conjunto de pessoas que tem de ter uma identificação clara não só entre os membros do grupo, mas também diante da sociedade. A igreja em Jerusalém era dotada desta identificação clara e evidente (At.5:12,13). Por isso, ninguém pode ser batizado nas águas sem que, antes, seja devidamente instruído a respeito do que é servir a Deus, sem que antes demonstre ter dado frutos dignos do arrependimento, prove que foi, realmente, transformada pelo Evangelho, que é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm.1:16).

- Infelizmente, há muitos que hoje estão sendo levados às águas batismais sem a mínima noção do que isto representa. Como afirmou o pastor Laerte Hernandes, supracitado, nada mais fazem que um “banho com vestes”. Não têm a mínima noção do que é pertencer ao corpo de Cristo, do que é ser salvo, sendo conduzidos como ovelhas para o matadouro, não no sentido bíblico da expressão (Rm.8:38), mas no sentido agropecuário mesmo: sem ter a mínima ideia de que serão causa de escândalo e de sacrilégio, pois estarão profanando uma ordenança de Jesus, praticando um ritual sem qualquer sentido ou valor, que tem o mesmo efeito diante de Deus dos sacrifícios meramente formais que o povo de Israel realizava na antiga aliança (Is.1:10-15).

- Para alguém ser batizado nas águas precisa dar frutos dignos do arrependimento. Para alguém descer às águas é preciso que haja evidência de que se trata de uma pessoa que se converteu, que deixou as trevas e passou para o reino da luz, que está a andar na luz, que se tornou uma nova criatura. Para tanto, faz-se necessário que o batizando tenha sido acompanhado pelos membros da igreja local, que possam, efetivamente, dar testemunho de que ele pode ser batizado. Por isso a importância de o candidato ao batismo se dirigir à igreja local e fazer a sua profissão de fé, que não é uma simples apresentação à igreja local, nem a reprodução de palavras adredemente ensaiadas, mas um testemunho que possa demonstrar aos membros da igreja local que se está diante de uma pessoa que tem convicção de que Jesus é o seu único e suficiente Senhor e Salvador.

- O batismo é imediato à conversão, mas conversão não é, como pensam muitos, o ato de levantar a mão diante de um apelo feito em um culto ou uma reunião de adoração ao Senhor. Este gesto é uma decisão por Cristo, que pode ter envolvido uma real salvação, mas que precisa ser evidenciada pela conversão, que um ato seguinte do processo da salvação, uma transformação. Isto somente será verificado ao longo de um determinado tempo, tempo que não se pode precisar quanto. Pode ser antes mesmo do fim da pregação, do apelo, como aconteceu na casa de Cornélio, como pode ser um ano inteiro, como parece ter acontecido em Antioquia e como se tem demonstração nos primeiros séculos da história da Igreja.

- Esta falta de critério para o batismo nas águas tem sido um dos principais fatores para o fracasso espiritual de muitas igrejas locais. Como se batiza sem critério, fora do modelo bíblico, sem verificação da conversão das pessoas, ingressam no rol de membros pessoas que não são salvas, pessoas que nada têm de crentes que, quando muito, são religiosas, mas que jamais tiveram um encontro real com o Senhor Jesus. São, para usarmos aqui de feliz expressão do príncipe dos pregadores britânicos, Charles Haddon Spurgeon, verdadeiros “bodes” que estão no meio das “ovelhas” e que, não raras vezes, desvirtuam toda a igreja local. Por isso, como diz Spurgeon, muitos pastores estão hoje a entreter bodes em vez de apascentar ovelhas…

- O discipulado do novo convertido é uma necessidade não só para aquele que aceitou a Cristo, mas para a própria igreja local que, desta maneira, tenta evitar a mistura com o mundo, com os falsos cristãos. Não nos esqueçamos de que um pouco de fermento leveda toda a massa (I Co.5:6; Gl.5:9) e que devemos evitar todo fermento, pois, como corpo de Cristo, temos de ser, como Ele, sem fermento, verdadeiros pães asmos de sinceridade neste mundo de hipocrisia e fingimento (I Co.5:7,8).

- Também é em virtude disto que não se deve permitir que pessoas que ainda não tenham se submetido ao batismo nas águas participem das atividades da igreja local. As atividades da igreja são apenas para aqueles que já assumiram o compromisso com o Senhor, compromisso este representado pelo batismo, que é o ponto final do processo de integração a uma igreja local. É com muita tristeza que verificamos, na atualidade, que muitos têm sido incorporados a várias atividades da igreja local, logo depois que se decidiram por Cristo, sem mesmo saber o que é ser crente, sem demonstrar que estão transformados pelo Evangelho. O resultado é o que temos visto cada vez mais: a frieza espiritual e a perda total de relevância espiritual de muitas igrejas locais.

- A integração na igreja local não é uma incorporação qualquer a um grupo social. Embora a igreja local seja um grupo social, deve dela tomar parte somente quem demonstrar que nasceu de novo, da água e do Espírito, ou seja, que tenha sido salvo por Jesus. É evidente que a igreja local deve ter departamentos e atividades dirigidos às crianças, adolescentes e jovens, quase sempre familiares de membros da igreja local, mas não podemos nos esquecer que tais departamentos e atividades devem ser, sobretudo, evangelizadores. É um evangelismo feito dentro das quatro paredes do templo. Entretanto, como Deus não tem neto, mas somente filhos, faz-se necessário, para que estes familiares sejam integrados na igreja local, que, assim como os que são alcançados pela evangelização “externa”, também sejam submetidos a um processo de verificação do novo nascimento nas suas vidas. Não se pode levar a batismo alguém única e exclusivamente porque “nasceu em berço evangélico”, mas alguém que, tendo tido a graça de ter nascido em um lar evangélico, encontrou-se com o Senhor Jesus e foi salvo por Ele, dando frutos dignos de arrependimento.

- A “conversão em massa”, ou seja, a integração de pessoas à igreja local sem que se tomem os devidos cuidados para verificação de que se trata de novas criaturas, de pessoas salvas e regeneradas, não traz proveito algum à igreja local nem tampouco à causa do Evangelho. O processo de paganização da Igreja, que levou ao surgimento da Igreja Romana e das Igrejas Ortodoxas, do chamado “cristianismo apóstata”, está diretamente relacionado com as “conversões em massa” que passaram a ocorrer no Império Romano depois que Constantino fez cessar as perseguições aos cristãos e demonstrou simpatia pelo Cristianismo. A partir de então, muitos, querendo ser “simpáticos” ao poder político, passaram a se “tornar cristãos”, deixando-se batizar e os cristãos, até então perseguidos, inebriados por este crescimento quantitativo e numérico (que acabou por resultar, também, em poder político para os bispos e demais integrantes da cúpula hierárquica das igrejas locais…), caíram na armadilha do adversário e, em pouco tempo, não havia mais diferença alguma entre cristãos e pagãos, com o surgimento das práticas que apenas deram “roupagens cristãs” a crendices e rituais do antigo paganismo.

- Os nossos dias não são diferentes. Muitas igrejas locais e denominações estão como que anestesiadas pelo “aumento do Evangelho”, que nada mais é que um crescimento numérico e quantitativo, acompanhado quase sempre de poderio econômico-financeiro e político, que tem feito muitos se esquecerem de verificar a real transformação das pessoas antes de integrá-las às igrejas locais pelo batismo. Muitos, a propósito, chegam a defender que a pessoa pode se batizar tantas vezes quantas achar necessário, como se o batismo nas águas fosse uma banalidade ou um mero banho que precise ser repetido diariamente.

- Ser “evangélico” virou moda e muitos se submetem ao batismo nas águas para “provar” que se converteram e tais conversões apenas têm servido para escândalos e prejuízos ao Evangelho, e, não poucas vezes, servido para encher os bolsos de muitos. Outros, na competição desenfreada por cargos e posições nas burocracias eclesiásticas, têm procurado aumentar o número de batizandos em suas igrejas e, para tanto, recorrem a todos os subterfúgios possíveis, como o batismo de crianças e de adolescentes, que nem sequer se conscientizaram do que é o batismo e que é servir a Cristo (e, neste ponto, filhos de crentes são o alvo preferencial…), o batismo imediato de pessoas que se decidiram por Cristo, ainda que não tenham sequer se libertado de seus vícios ou de sua vã maneira de viver, o rebatismo de pessoas de outras denominações, sob as mais absurdas teses e justificativas doutrinárias e, pasmem todos, até mesmo o rebatismo de irmãos da própria denominação, sob a rubrica do “justo motivo”, tão somente para fazer número e apresentar em relatórios. A que ponto chegamos, como tem se aviltado uma ordenança de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo!

- Urge, portanto, que demos ao batismo nas águas o seu real valor, que o vejamos como o ato final de um processo de integração, como o testemunho público não só do batizando, mas da igreja local, que se está diante de uma ovelhinha de Jesus Cristo, de um ser transformado pelo Evangelho, de uma nova criatura, de alguém que anda na luz de Cristo, que está caminhando para o céu; Não nos preocupemos com os números, não busquemos nos enganar a nós mesmos, nem capitulemos à mentira e à hipocrisia, mas façamos do batismo nas águas um instante de realização e de alegria não só do batizando, mas de toda a igreja local, certos de que aquele que está a descer às águas é uma alma que foi arrebatada do poder do mal e que, com a colaboração de toda a igreja local, hoje, publicamente, pode dizer e comprovar que é alguém que está nas mãos do Senhor Jesus e que ninguém poderá arrebatar. No próximo batismo nas águas na sua igreja local, que responderá cada batizando, se lhe perguntarmos como os poeta sacros Eufrosine Kastberg e Emílio Conde: ‘Nasceste de novo, andas já com Deus? Pertences ao povo que vai para os céus? Tens a lei escrita em teu coração? Em ti já habita plena salvação?” (1ª estrofe do hino 447 da Harpa Cristã).

- Com o batismo nas águas, tem-se o completar do trabalho junto ao novo convertido, pois agora, mediante a confissão pública que é visível a toda a sociedade e não só à igreja, tem o aparecimento da plantinha que havia germinado e que o mundo ainda não tinha visto que se tornara uma “nova criatura”. Tem-se, então, uma linda manifestação do reino de Deus para toda a humanidade, uma vida transformada, mudada, que agora, publicamente, se manifesta para que todos vejam que Jesus salva e transforma o homem. Temos deixado tal manifestação do reino de Deus se revelar entre nós?

Caramuru Afonso Francisco